14 de novembro de 2011

O revisor de textos: aporte teórico

A legibilidade linguística de um texto é caracterizada pelos manuais de revisão textual como a finalidade a ser atingida pelos profissionais responsáveis pelo tratamento do texto com vistas a sua publicação. Não há, no entanto, maior atenção aos aspectos de textualidade no planejamento, construção e revisão de textos no trabalho de adequação à leitura e normalização no processo de publicação.
O autor e o revisor são malabaristas
que se equilibram na corda bamba
sobre os abismos do texto.
A formação do profissional do texto configura-se, já nos postulados e manuais linguísticos, como a proficiência no trabalho, predominantemente, com a competência gramatical, caracterizando o processo de revisão textual como uma “fiscalização” às inadequações gramaticais subjacentes aos escritos, sem refletir sobre suas implicações na construção e manutenção da textualidade e dos objetivos propostos, limitando o campo de atuação e a competência do revisor textual.
São escassos os excertos que podem ser citados e que primam pela manutenção da textualidade ligada aos fatores textuais, discursivos e estilísticos que devem dominar e empregar na revisão textual os profissionais do texto, denominados pelo autor como preparador de textos. As contradições dos objetivos do dizer e o que realmente é efetivado pelo pesquisador são ainda mais estanques quando na análise dos escritos é verificável um manual de estilo em que a preocupação é a não exaustividade, elecando e apresentando-se, porém, uma série de normas aplicáveis à forma de organização livresca e gramatical.
O profissional revisor de texto costuma ser equiparado ao preparador de originais, cujas habilidades e funções ultrapassam a do revisor textual. O profissional preparador realiza “atividades relativas à adequação do texto que dizem respeito à organização, normalização e revisão dos originais”, contribui também com a adequação e padronização da unidade física e editorial dos escritos, ainda sem tratamento gráfico e em contato com o autor, competência frequentemente realizada pelo revisor de textos. Cabe a ele, desse modo, conhecer e dominar as tarefas exercidas pelo revisor textual, ou seja, deve compreender os aspectos linguísticos em seus mais diversos níveis gramaticais, discursivos, textuais, semânticos e estilísticos, para que se possa realizar adequadamente a etapa do trabalho com textos e não apenas uma revisão quanto à forma e organização do material e preparação gramatical.

Leia também: Revisão de texto: o objeto - Revisão de traduções - Revisão textual ou revisão de textos?

12 de novembro de 2011

A profissão do revisor de textos

A profissão do revisor de textos não é assim tão simples. Tem lá suas nuanças. Ora o nome muda, ora o jeito se altera, assim como a remuneração. Vez ou outra alguém sai com aquele estereótipo do gramático chato. Quando alguém descobre que você é revisor, trata logo de tomar alguma destas atitudes: a. fala menos na sua frente; b. não escreve mais para você; c. começa a pedir desculpas no final dos textos; d. passa a monitorar a fala muito além do normal; e. faz perguntas esdrúxulas, como se você tivesse a obrigação de ser um dicionário de exceções ambulante.
O profissional de revisão de textos ajuda os autores a
acertarem melhor seus alvos.
Não raro param você no corredor para "dar aquela olhadinha" no convite de aniversário, no santinho da tia morta, se bobear, até na placa do carro. Ou reparam em qualquer placa na rua para pedir explicações sobre se aquilo "pode" ou "não pode".
Também não faltam lendas: a do cara que pôs na porta da oficina de bikes "conserto bicicleta e pinto". Ou a do açougueiro que achou melhor especificar: "vende-se frango-se". Vai saber. Há livros sérios sobre isso, esse "português popular", mas também há lendas em todo canto do Brasil.
A figura do revisor de textos é transparente. Parece que não está lá, mas está. Não fosse ela e a vida poderia ser pior, ao menos a leitura mais atravancada. Mas se o revisor tenta desobstruir o caminho do leitor, ao autor não soa tão bonzinho. Há autor que não viva sem um desses fiéis escudeiros, mas há, de outro lado, até grupo de extermínio formado por autores encapuzados loucos pela pele do revisor maldito.
Revisor de textos existe há muito tempo. Muito mais do que se pode pensar. Revisor de textos é uma espécie dessas que parecem extintas, mas que quando menos se espera, renascem dos grafites e das canetas. Quem diria que a internet ajudaria a dar mais fôlego a esse cara? Tudo bem que agora mais equipadinho, mas dono de práticas centenárias.
Revisor de textos merece até ser protagonista de livro importante. É necessário ler História do cerco de Lisboa, do abertíssimo José Saramago, para entender melhor em que universo vive um revisor de textos. A última palavra é do autor, o livro também tem lá sua autônoma autoridade, mas está ali um revisor que deixa ver bem quem é esse cara. Em geral, na vida real, uma mulher.
Revisor de textos empreendedor tem empresa própria e emite nota fiscal. Cumpre prazos e nunca tem final de semana. Trabalha em casa, é certo, mas tem lá suas descompensações. Do cliente viciado, que não deixa passar nada sem aquela consultadinha, nem que seja por telefone, até aquele cliente que surge do nada e quer o serviço para ontem. Em geral, aliás, é para ontem, se não para anteontem. Os prazos estão todos estourados, mas a vida não está ganha.
Fragmentos adaptados de

9 de novembro de 2011

Quem mexeu no meu texto?!

É o revisor quem mais sofre com as derrotas de um texto. Ele é o último homem (ou a última mulher) a ler o livro antes da fase de impressão gráfica, quando não há retorno…
Ronald Polito: A borrarcha.
Borracha, grafite,
3,7 x 2,8 x 0,8 cm - 2011
Monteiro Lobato dizia que a tarefa do revisor de textos era das mais ingratas. Que o erro ou a falha se escondiam durante o processo de confecção do livro para, depois de tudo pronto, aparecer na primeira página aberta, como um saci danado, pulando, debochando do revisor.
  • O revisor é um caçador de distrações. Uma de suas maiores alegrias (em que há uma pitada de vaidade) é encontrar deslizes do autor, perceber as gralhas que ninguém viu antes, corrigir detalhes que iam passar despercebidos.
  • O revisor revisa com amor.
  • O revisor sai de manhã, caneta em punho, em busca de verbos mal conjugados e vírgulas fugitivas.
  • O revisor revisa com dor.
  • O revisor chega em casa, à noite, com o coração cheio de parágrafos amputados e tópicos frasais remendados.
  • O revisor revisa com ardor.
  • O revisor enfrenta moinhos de vento que de fato moem o vento de palavras que o vento não leva. Madrugadas insones, manhãs e tardes quentes, noites chuvosas, o revisor vai pulando as linhas e entrelinhas do texto em busca das ciladas armadas sabe Deus por quem.
  • O revisor entrega o seu trabalho bem suado e abençoado. Recebe as moedas de prata que são, na verdade, moedas de ouro. Recolhe seus instrumentos de caça, enxuga o rosto, sorri. Sabendo que o autor poderá reclamar de suas intervenções, que poderá referir-se ao revisor, gritando: quem mexeu no meu texto?! O mérito da frase perfeita é do autor. O crime do erro cometido será do revisor.
  • O revisor, porém, não se considera um injustiçado.
  • O revisor vitimista abandonou a profissão no primeiro dia.
  • O verdadeiro revisor sabe que nasceu para ficar ali, na pior posição de todas.
  • Oços do ofíssio.
Gabriel Perissé, adaptado

8 de novembro de 2011

Diretrizes da Comissão de Integridade de Pesquisa do CNPq

Trabalhamos com revisão e formatação de tese,
dissertação e artigos científicos com absoluto
respeito à ética acadêmica.
  1. O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.
  2. Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.
  3. Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.
  4. Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.
  5. Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.
  6. Se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.
  7. Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.
  8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.
  9. Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.
  10. Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.
  11. A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.
  12. Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.
  13. O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.
  14.  O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.
  15. Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.
  16. A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.
  17. Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.
  18. A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.
  19. Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.
  20. Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.
  21. Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

Keimelion, revisores acadêmicos

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