4 de setembro de 2011

Revisão de textos e "diálogo" com o autor

A prática da revisão de textos para o mercado editorial tem propósitos bastante diversos daqueles que costumam se estabelecer em sala de aula, no ensino da escrita.

Professores e alunos estabelecem relações quase que mediadas pela produção do texto, muita vez em diálogos escritos às margens da página. Matencio (2002) comenta que “em muitas práticas sociais, sejam elas escolares ou não, reescrita e retextualização se confudem com freqüência”, no entanto, “do ponto de vista teórico-metodológico, a abordagem dessas atividades não é equivalente”, ou seja, reescrever e retextualizar são ações diferentes sobre o texto.
*A. E. Ribeiro
Já não existe revisão tipográfica, mesmo
 por não haver mais tipógrafos, mas o revisor
 de textos continua necessário em todo 
trabalho a ser publicado.
Se aplicarmos isso à situação do processo de publicação (para além do de redação) e se pensarmos que a relação que rege a negociação do revisor com o autor não é a mesma que rege professor e aluno, teremos então “propósitos comunicativos” diversos. Matencio (2002) afirma que é “desejável” “tratar a reescrita como atividade distinta da revisão”, já que os “eventos de interação” que envolvem esta prática são completamente distintos. É disso que queremos nos aproximar quando dizemos que a preparação de originais é mais ajustada a uma ação interativa (revisor, texto, editor, autor) e a revisão se coloca entre as intervenções de tipo resolutivo, em geral, no trabalho concentrado do profissional e na aprovação (ou não) do autor, sem tanta negociação.
As “etapas sucessivas de refacção de textos por alunos” (Matencio, 2002) têm como finalidade algo diferente das etapas da revisão de textos para publicação, muito embora a “ação pedagógica” (Britto, 2006) possa tomar lugar em ambas as situações. Se ambas as intervenções têm como meta “o aprimoramento da escrita” (Matencio, 2002), é de se retomar o fato de que a revisão editorial lida com prazos e fluxos bastante diversos da sala de aula. Em Ribeiro, Souza e Souza (2009), discutimos a produção editorial com base na gestão de projetos, considerando-se escopo, prazos, pessoas e custos, inclusive enfatizando que a revisão de textos é uma etapa envolvida entre os riscos do projeto editorial e muito ligada ao controle de qualidade (também em outros campos profissionais isso leva o nome de revisão), comumente negligenciada.

Revisão de textos e “diálogo” com o autor


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