O papel do revisor de textos em trabalhos técnicos ou científicos e na comunicação on-line

A única certeza do revisor de textos é a de que vai deixar passar algum erro. Revisor procura erro, corrige erro, não vê algum erro e também incorre em erro.

Quem se aventura na revisão deve estar preparado para conviver com a ingratidão. Porque o revisor sabe o quão diferentes são os livros antes de passarem pelas suas mãos. Contudo, eles têm apenas um lugar minúsculo reservado para si na ficha técnica (quando têm).
A única certeza do revisor de textos é a de que vai deixar passar algum erro.
Na Web ou no papel, não basta que
as letras sejam bonitas, elas precisam
estar no lugar certo; conte sempre
com o serviço do revisor de textos.
Ao contrário de um tradutor, o nome do revisor não constitui um chamativo da obra, apesar do acréscimo de valor que dá aos livros que cinzela.
"Ser revisor de textos como principal ocupação profissional é ter uma vida diferente. É ver menos pessoas do que na maior parte dos outros trabalhos. É estar em casa grande parte do tempo. É não ter horários, mas prazos. É gozar do prazer de passar os dias a ler e ainda ser pago por isso. Um revisor é, por imperativo profissional, um leitor omnívoro. Um especialista das engrenagens da língua, desde as suas estruturas maiores até às suas partículas mais ínfimas, aos seus ossinhos e parafusos." Manuel M. Monteiro
O revisor é, no fundo, o escritor da sombra, o duplo do ator de cinema que entra em cena quando este não está preparado para o salto. Dependendo da margem que as editoras e os autores lhe concedem, dependendo também do seu perfil – mais ou menos intervencionista –, ele pode ser um mero reparador de erros ou alguém que reescreve frases, embelezando-as. Sim, o bom revisor deve amar as palavras. Não ser apenas um engenheiro ou um contabilista das mesmas. Só amando as palavras, as poderá lascar, aparar, envernizar, polir, perfumar.
Seria interessante publicar-se um livro de um grande escritor em estado de pré-revisão, de modo que os leitores compreendessem a importância do revisor.


São necessárias três características para a execução da revisão:


  • Primeira: possuir-se uma boa cultura geral. Quanto mais assuntos se dominar, mais erros de conteúdo se detectará (algumas editoras contratam um revisor científico, à parte do revisor linguístico, para obras mais especializadas).
  • Segunda: ter-se uma elevada capacidade de concentração. Ao revisar, é preciso ler simultaneamente com um duplo olhar: o olhar da forma, atento à vírgula que falta, e o olhar do conteúdo, que exclama «eureca!» quando a personagem que era coxa, a certa altura da narrativa, desata a correr mais do que as outras. Um revisor assemelha-se, neste sentido, a um trabalhador numa torre de controlo – a sua concentração tem de ser absoluta e ininterrupta, porque a mínima distração será fatal.
  • Terceira: conhecer-se as leis e os processos da linguística, e, ainda assim, manter-se sempre a humildade de consultar todos os manuais de gramática e todas as doutas opiniões.

Há um corolário nocivo a que dificilmente qualquer revisor escapará: o seu olhar de leitor será contaminado pelo seu olhar de revisor. A fruição da leitura ressentir-se-á do seu sempre atento olho de lince.
Às vezes, penso que a profissão que mais se aparenta com a do revisor é a do árbitro de futebol. Estranha comparação, em primeira análise. A verdade é que o único aspecto visível do trabalho de ambos é o erro. Dá-se pela existência de tais ofícios apenas quando eles falham.

A revisão em trabalhos técnicos

O papel do revisor é assegurar que os pensamentos criados na mente do leitor no momento da leitura se aproximem o mais possível dos pensamentos do autor no processo de escrita. Muitas vezes, diante de uma sentença ambígua ou obviamente errônea, o leitor precisa tentar adivinhar o que o autor pretendeu dizer. Termos inadequados ou fora do lugar podem levar a ambiguidades e distrair a atenção do leitor, provocando um menor impacto do discurso. O autor precisa ter a segurança de que suas palavras possam registrar efetivamente seus pensamentos e de que o leitor os apreenda sem distorções. L.C.M Borges

O revisor é entendido como o “profissional encarregado de copidescar; fazer revisão ortográfica, gramatical e sintática; e executar codificação gráfica e padronização do texto” (EMBRAPA, 2006). Revisar um texto é como fazer nele uma inspeção. Encontrados os defeitos, estes devem ser eliminados. Isso não significa interferir nas ideias do autor, mas realizar uma “faxina textual”, na qual os excessos são retirados para preservar a clareza e o próprio estilo do autor. Esta é a função primordial do revisor, que deve, em seu trabalho com o texto, não partir do princípio da obviedade, mas sim do conhecimento geral.
  • Nas atividades de editoração, a primeira etapa do trabalho do revisor está descrita da seguinte forma:
O revisor corrige os erros gramaticais, sintáticos e gráficos. Se necessário, o texto pode ser copidescado, um processo no qual o texto é refeito ou melhorado, sofrendo alterações pertinentes na estrutura frasal e na adequação vocabular, imprimindo-se, assim, clareza e concisão ao enunciado e ao discurso (EMBRAPA, 2007).
  • Em seguida, o revisor incorpora as emendas, após validação do autor, e procede à revisão dos textos formatados (diagramados):
O revisor de texto confere minuciosamente a cópia formatada para detectar erros tipográficos e falhas da editoração eletrônica. Confere também: posicionamento de figuras e tabelas; ordenação desses elementos conforme a chamada no texto; legendas e textos-legenda de figuras; elementos do sumário de acordo com a paginação; sequência lógica dos parágrafos e das notas de rodapé, confrontando com a cópia do arquivo limpo.
O trabalho continua com a revisão das emendas. “O serviço de revisão faz a leitura minuciosa, verificando se todas as emendas requeridas foram executadas corretamente e se o texto está completo e ordenado em sequência lógica. Repete-se esta etapa até que todas as emendas tenham sido feitas.” 
Como um primeiro leitor do trabalho, o revisor é capaz de detectar os pontos insuficientemente explicados ou mesmo irrelevantes, que sejam ambíguos e/ ou não transmitam o pensamento pretendido pelo autor. Sem modificar as características pessoais e a maneira de expressar-se do autor, o revisor é capaz de assegurar um fluxo lógico de ideias no texto. Seu principal papel é o de aperfeiçoar a redação para que esta se torne compreensível e alcance o objetivo pretendido pelo autor – não se trata, portanto, em momento algum, de desqualificar o texto originalmente apresentado. Para o revisor, o importante é que tudo esteja claro, interessante e de acordo com as normas da língua portuguesa.

Revisão de texto na comunicação on-line

Há casos de erros em marketing e publicidade nos quais a atuação de um revisor poderia evitar o constrangimento, os prejuízos financeiros e de imagem. Apenas um exemplo: um e-mail marketing de um grande varejista com o preço de promoção maior que o preço normal. (Alexandria).
Praticamente dez entre dez pessoas apresentam erros de português. E essa constatação não é de quem está acima de qualquer erro e é perfeito; é uma constatação de quem processa textos variados e trabalha com a complexidade da nossa língua diariamente.
Todos erramos; faz parte da natureza humana. Mas a maioria dos erros, principalmente na Internet, ocorre porque as pessoas estão mais preocupadas em passar ou repassar a informação e menos preocupadas com a qualidade dela, sem se deter, mesmo sem a ajuda de um revisor profissional, na leitura e releitura atenta do texto. Devemos ficar alertas que o leitor é transitório e veloz e terá estas características potencializadas diante de erros e de uma comunicação com falhas, rejeitando-a, se não de repente, gradativamente. Na Internet, a leitura é breve e ligeira, mas a escrita deve ser apurada, criteriosa.
Quando partimos para uma abordagem de sites e blogs institucionais, corporativos e profissionais, devemos estar mais atentos ainda, pois a credibilidade dos profissionais, dos produtos, das marcas e das organizações, ainda que não ao pé da letra, são afetados pelo conteúdo de má qualidade, que, mesmo não sendo algo tangível, também é consumível e reflete a imagem de quem o oferece. Uma questão que por não ter, muitas vezes, a atenção necessária, nem se chega à conclusão de que tenha causado o afastamento do leitor ou do consumidor. Digo por experiência própria, pois, não raro, visito sites e blogs com layouts impecáveis, mas que pecam no quesito preocupação com os textos e com o leitor/consumidor, e, até inconscientemente, e sem avisar, acabo não voltando àquela página.
Com indivíduos e organizações produzindo e replicando conteúdos e informações, aumentando sensivelmente a cada dia a comunicação on-line, é perceptível, na mesma medida, a necessidade de uma redação clara, correta e organizada também por este meio – a Internet. E, para que isso aconteça, é preciso que, principalmente quem escreve, se preocupe com o leitor, se preocupe em se fazer entender. O que para o autor parece claro, para o leitor pode não parecer; por isso, devem-se respeitar as regras gramaticais, de concordância, de organização das ideias, dentre muitas outras. Parece óbvio, mas, seja por ansiedade de publicar, por puro desleixo ou mesmo pelo fato de o autor ter tido uma educação escolar defasada e não contar com ajuda de um profissional preparado, é que vemos web afora um sem número de sites, blogs, peças de marketing e propaganda etc. com erros de redação em geral, que vão de aceitáveis a crassos. Erros que afetam, em primeiro lugar, a compreensão pelo leitor, que, pelo formato digital, se torna mais fugaz, urgente e quer a informação de bandeja, compreensível, inteligível. pesar de este texto vir com o título acima, também se direciona, de alguma forma, a outros formatos de escrita e publicação.