28 de julho de 2010

NARRATIVA IMAGÉTICA: A CIÊNCIA COM PRAZER



Josimey Costa da Silva*

Construir uma nova estética do texto científico a partir de florações do imaginário em estado mais ou menos bruto, pulsante ainda. Parece uma tarefa fácil? Sim, se estamos no campo das técnicas profissionais da comunicação social, como é o caso do jornalismo.
Sim, novamente, se apenas estamos lendo um texto de Gaston Bachelard, o mago teórico das imagens mentais. E não, se o que se deseja é tentar traduzir, em linguagem verbal, uma nova narrativa para a ciência.
Ao contrário do que é usual para as ciências ditas “humanas”, a narrativa imagética não está estruturada primordialmente no texto verbal. O tratamento verbal, nessa nova narrativa, é justaposto, complementar. O verbal, às vezes, chega a ser contrastante com os demais elementos expressivos do texto. Texto, evidentemente, num sentido muito amplo.
Às vezes, o verbal está até mesmo ausente do texto. Não se trata, aqui, da produção da um vídeo-documentário destinado à “divulgação científica”, o que é comum, ou de fotografias que comprovam uma teoria verbalmente expressa ou formulada matematicamente, muito menos de ilustrações que complementam
uma experiência empírica descrita segundo todos os parâmetros metodológicos aceitos.
Trata-se de construir hipóteses com a imagem, de “escrever” a ciência através da metáfora e, o que é mais divertido, de deixar mudos os argüidores, não apenas porque não dominam o código, mas porque a imagem, num primeiro momento, suplanta mesmo a palavra.
Aí está: ciência não tem que ser algo sisudo, mal-humorado e compenetrado demais.
A seriedade não significa nem falta de humor, nem falta de prazer. Fazer ciência pode e deve ser muito divertido. Afinal, é o exercício adulto da curiosidade infantil, satisfeita, na criança, na extrema seriedade da brincadeira. A tradução do mundo em imagens é característica da primeira infância; há, na literatura e na arte, toda a riqueza cultural da humanidade, mas também a criatividade e a inovação de toda descoberta do mundo. Há emoção. Por que a ciência não pode ter tudo isso?
É preciso tentar quebrar as amarras que um texto científico objetivo, preponderamentemente conceitual, impõe à expressão do pensamento. Como traduzir uma emoção, por mais tênue, por mais breve que ela possa ter sido? Por outro lado, como extirpar o mínimo traço das emoções que pontuam qualquer ação humana, inclusive a mais científica? E o que é realmente muito angustiante: como dar pelo menos um fio de vazão aos oceanos que inundam o imaginário e que fundamentam nosso ser no mundo?
Certamente, estas palavras não espelham toda a inquietação de quem se aventura por esse caminho frente tantas questões. Mas a metáfora dos oceanos que vazam por um fio muito provavelmente terá despertado, em você, imagens que se irmanam com as minhas próprias. E as palavras que eu usei ou que você possa usar para repetir a experiência certamente serão sempre demasiadamente pobres.
As imagens são a base da nova narrativa que está sendo proposta. Imagensmetáforas nos textos verbais. Imagens óticas noutro tipo de elaboração. Imagens que se comunicam diretamente com imagens, que produzem outras imagens, puramente mentais.
Essa é uma narrativa que busca configurar a própria experiência da abertura que a imaginação representa para o espírito humano. Mas é preciso encher a imaginação de imagens para poder viver diretamente a imagem. Se você se interessou pelo que estou propondo, ouça agora uma música inspiradora. A música é sempre um bom começo.
* Jornalista, mestre em Ciências Sociais e professora de Telejornalismo e Comunicação Cinematográfica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.

Aqui no blog:  Desencalhe sua tese - O princípio da consistência - Definições de revisor de textos - Defendendo o texto

27 de julho de 2010

Relatórios de boa qualidade

Relatórios são muito úteis, não só para a descrição ou relato de algum evento, experiência, estudo, mas porque eles devem ser feitos para COMUNICAR alguma coisa e, se forem bem feitos, transmitem uma mensagem. Os relatórios precisam ser eficazes ao máximo e devem ser breves e diretos, com bom sumário ou resumo.
Faça becape de tudo que escrever.
Os relatórios precisam ser confiáveis. É inadmissível um relatório de boa qualidade conter erros que possam invalidar conclusões ou falsear informações. Os relatórios perdem seu significado se forem inexatos. Neste ponto é importante observar que a exatidão da linguagem também é importante. Para um leitor culto, um relatório mal escrito não tem a mesma credibilidade de um texto conciso, preciso e correto.
A revisão final do relatório é imprescindível para que se obtenha a exatidão desejada. Procure julgar se as conclusões do relatório têm sentido. Se não houver erros, mas se alguns resultados forem incomuns ou inesperados, eles devem ser explicados.
Tente colocar-se no lugar dos leitores na hora de elaborar gráficos e tabelas. Gráficos cumulativos tendem a serem interpretados erroneamente. Faça o possível para que os dados apresentados sejam claros e inequívocos. Evite também expressões que não sejam bem conhecidas dos possíveis usuários do trabalho. Use sentenças curtas e simples. Um relatório eficaz combina uma página de resumo ou comentários com a página de histórico. Se for o caso, divida o gráfico original em períodos coerentes com os que foram citados no texto e a cada novo período, o gráfico cresce, ajudando assim o leitor a atualizar-se sem precisar consultar arquivos ou páginas anteriores.
Os relatórios devem ser entregues no prazo. Isto é óbvio, mas em alguns casos, é bom combinar o prazo com as datas de eventos em que o relatório seja importante. Se o prazo para entrega for uma sexta-feira, mas se você souber que seu relatório poderá ser útil na quinta, é preferível entregar o relatório na quarta-feira! O conceito de prazo aqui não é apenas numérico. É a conveniência do usuário que dita a qualidade.
A redação de relatórios de resolução de problemas pode ser delicada. O problema pode ser fácil de resolver, mas a comunicação do resultado pode envolver pessoas. Por isto, é bom que este tipo de relatório seja escrito por um pequeno grupo, do qual façam parte orientadores e, se possível, um ou outro participante. Discrição e correção ética são ingredientes indispensáveis na elaboração e divulgação do relatório.
Relatórios de justificativa de orçamento também exigem muita habilidade dos redatores. Por isto, o envolvimento de mais de um setor da organização que venha a ter benefícios com as compras propostas pode ser interessante. A "venda" da idéia passa a ser feita com muito mais força.
Finalmente, deve-se lembrar que um documento escrito é um meio de demonstrar a habilidade profissional. Textos excessivamente técnicos não ajudam a demonstrá-la. Porém, a comunicação efetiva, baseada no conhecimento do assunto e de quem vai lê-la, tem maior probabilidade de conseguir o resultado desejado.

Leia estes posts: Orçamento para revisão de textosImpressão sob demanda - Plágio e fraude acadêmica

DESCRIÇÃO DE NORMAS E PROCEDIMENTOS


Descrever procedimentos é atividade
científica e redacional.
A descrição de procedimentos é corriqueira no texto científico e apresenta características textuais que devem ser observadas ao redigir, bem como ocorrem equívocos específicos a serem evitados.

  1. Construir frases na ordem direta;
  2. Preferir frases curtas e — se possível — afirmativas ou negativas diretas para facilitar o entendimento;
  3. Usar preferencialmente o verbo no presente do indicativo. No caso da descrição de etapas de um processo, usar o infinitivo (numerar, mexer, usar), colocando-o no início da frase;
  4. Numerar cada ação, respeitando sua sequência de execução;
  5. Priorizar instruções de segurança;
  6. Utilizar sempre que possível os termos técnicos já definidos anteriormente;
  7. Fazer uso do estilo impessoal, evitando o emprego de pronomes de primeira pessoa, como eu, nós, meu, nosso;
  8. Evitar o uso de abreviaturas e siglas, que só se justificam quando as palavras ou expressões correspondentes aparecerem muito repetidamente. Se isso ocorrer, na primeira vez que for empregada, o significado deve vir logo a seguir, separado por hifens;
  9. Numerar os itens (primários, secundários, terciários e quaternários) com algarismos arábicos, colocando a numeração junto à margem esquerda. Não usar ponto, parênteses ou hífen após essa numeração e dar um espaçamento correspondente a duas letras antes da primeira letra seguinte;
  10. Escrever os títulos dos itens primários (capítulos) fonte adequadamente maior que a do corpo do texto, evitando a caixa-alta sempre que possível;
  11. Evitar o uso de estrangeirismos, coloquialismos, gongorismos e gírias;
  12. Evitar enfaticamente o emprego de etc. Seu significado deve ser sempre explicado (Ex.: ouro, prata e outros metais preciosos);
  13. Usar repetidamente o substantivo, em vez do pronome, sempre que houver possibilidade de o pronome gerar ambiguidade.

Leia também outras postagens: Publique sua tese - Redação técnica e científica - Descrição de normas e procedimentos - Conjunção, uso e abuso

ERROS COMUNS EM DESCRIÇÃO DE PROCEDIMENTOS


Evite erros, revise conosco.
A descrição de procedimentos é corriqueira no texto científico e apresenta características textuais que devem ser observadas ao redigir, bem como ocorrem equívocos específicos a serem evitados.
  1. Redigir mal o objetivo, enfatizando o motivo da tarefa. Deve-se enfatizar a relação entre o procedimento e as hipóteses;
  2. Empregar locuções verbais: deverá entregar... poderá fazer... Usar preferencialmente o verbo no tempo adequado, modo do indicativo (nos parágrafos). No caso da descrição de etapas de um processo, numa enumeração, usar o infinitivo (numerar, mexer, usar), colocando-o no início da frase. Além disso, no texto de um procedimento deve-se evitar aparecer verbo que indique ação facultativa, como dever, poder;
  3. Colocar palavras inespecíficas na descrição. Ex.: ... deve identificar adequadamente o documento. (Adequadamente, como?) Essa forma é encontrada em normas, que são mais gerais, para que sejam adaptadas à realidade de cada caso;
  4. Numerar parágrafos. Um parágrafo é uma subdivisão não numerada de uma seção ou subseção. Só devem ser numeradas as seções (capítulos) e subseções;
  5. Numerar uma subseção sem haver subseção conseguinte no capítulo. (Ex.: Abrir subseção 4.1 no capítulo 4 se não houver 4.2);
  6. Numerar os itens de uma enumeração. Cada termo deve vir precedido de um traço ou de uma letra minúscula seguida de parênteses. Havendo necessidade de mais subdivisões de um item da numeração, usam-se números arábicos seguidos de parênteses. Além disso, os itens enumerados devem vir precedidos de frase introdutória.
    Veja o exemplo:

    As vibrações do aparelho podem ter as seguintes causas:
    • esbalanceamento dos elementos rotativos;
    • deformação na estrutura;
    • falta de estabilidade dos mancais;
    • cargas aerodinâmicas.
  7. Usar linguagem não condizente com a cultura acadêmica. (muito coloquial, gongórica ou não usual);
  8. Construir frases na ordem inversa. (São os processos mantidos por, no mínimo, 18 meses em arquivo morto. Em vez de: Os processos são mantidos por 18 meses no mínimo ...);
  9. Exagerar no uso de maiúsculas, negritos, sublinhas para chamar a atenção do leitor;
  10. Usar estrangeirismos desnecessariamente;
  11. Numerar os anexos. Devem ser usadas letras ( Anexo A, B, C...);
  12. Usar nomes comerciais;
  13. Usar estilo pessoal, empregando verbos ou pronomes de primeira pessoa (meu, eu, nós...).

Veja ainda neste blog: Normas, Portifólio, Descrição de normas e procedimentos, Recomendações dos orientadores.

19 de julho de 2010

O DISCURSO ACADÊMICO-CIENTÍFICO


Revisão tem que ser com conhecimento
linguístico sólido, faça na Keimelion.
Alessandra da Silveira Bez
Para elaborarmos uma proposta sobre gênero acadêmico-científico baseada na semântica linguística, ou seja, na descrição de um sentido dentro do linguístico, pensamos que é importante, primeiramente, definirmos o que é gênero, de acordo com a perspectiva bakhtiniana.
Para Bakhtin (1992, p. 277), todas as esferas da atividade humana estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Esse uso da língua se efetua em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes de uma ou outra esfera da atividade humana. O enunciado mostra as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas: conteúdo temático, estilo verbal e construção composicional. Esses três elementos convergem para o todo do enunciado e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Vê-se, então, que qualquer enunciado considerado isoladamente, é individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, que são os gêneros do discurso. Cada esfera dessa atividade se diferencia e se amplia à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa.
A partir das três características que formam um gênero, condições específicas, estilo e construção composicional, Bakhtin (1992) afirma que o estudo da natureza do enunciado e da diversidade dos gêneros do enunciado nas diferentes esferas da atividade humana são fundamentais para os estudos da área de linguística, porque um trabalho de pesquisa com um material linguístico concreto lida com enunciados concretos que se relacionam com as diferentes esferas da atividade e da comunicação. É necessário que se tenha uma concepção clara da natureza do enunciado em geral e dos vários tipos de enunciados em particular, ou seja, dos diversos gêneros do discurso, para que uma pesquisa seja bem sucedida. Não levar em consideração a natureza do enunciado e as particularidades de gênero que marcam a variedade do discurso em qualquer área do estudo linguístico é condená-lo ao formalismo e à abstração. Com essa perspectiva, é necessário compreendermos como o gênero acadêmico-científico se constitui, visto que ele apresenta características e funções bem específicas.
Sabemos que o homem, pela sua própria existência, necessita atribuir significações ao mundo em que vive. Com isso, ele cria intelectualmente representações significativas da realidade. Essas representações podem ser definidas como conhecimento e podem ter diferentes vertentes: mítica, ordinária, artística, filosófica, religiosa e científica (Köche, 2002). Como visto nos parágrafos anteriores, abordaremos o gênero acadêmico-científico, já que é esse tipo de texto que será utilizado em nosso corpus de análise.
O gênero acadêmico-científico pode ser representado, para alguns estudiosos, de forma caricata, pois se tem a imagem ingênua de que a ciência busca técnicas de investigação para serem aplicadas em qualquer problema, garantindo a verdade científica e eliminando falhas. Percebemos que a ciência não apresenta verdades absolutas, mas explicações provisórias que dão ao conhecimento científico um estado hipotético permanente.
De acordo com Köche (2002), podemos definir um gênero acadêmico-científico como um conjunto de procedimentos não padronizados adotados pelo investigador, orientados por postura e atitudes críticas adequados à natureza de cada problema investigado. Assim, elaborar um discurso de caráter científico é produzir de forma crítica o conhecimento científico, levantando hipóteses bem fundamentadas e estruturadas em sua coerência teórica (verdade sintática) e possibilitando serem submetidas a uma crítica severa (verdade semântica) avaliada pela comunidade científica (verdade pragmática). Nota-se que não há somente uma verdade, mas três. Mesmo assim, elas não são suficientes para demonstrar a verdade de determinado enunciado, justificando a aceitação como um resultado certo, infalível.
Percebe-se, então, que o conhecimento científico é falível, pois o investigador pode elaborar hipóteses inadequadas, não planejar de forma adequada os testes de suas hipóteses, assim como não perceber provas contrárias, gerando conclusões impróprias. Pode-se constatar, assim, que essa falibilidade existe porque o conhecimento científico é uma retomada constante das teorias e problemas do passado e do presente, através da crítica severa e sistemática. Por esse sistema diacrônico, percebe-se que o conhecimento científico não cristaliza resultados das pesquisas, mas os considera eternas hipóteses que precisam de constante investigação e revisão crítica intersubjetiva. Através da citação de Köche (2002) podemos compreender qual é a proposta do conhecimento científico:
O conhecimento científico é, pois, o que é construído através de procedimentos que denotem atitude científica e que, por proporcionar condições de experimentação de suas hipóteses de forma sistemática, controlada e objetiva e ser exposto à crítica intersubjetiva, oferece maior segurança e confiabilidade nos seus resultados e maior consciência dos limites de validade de suas teorias (KÖCHE, 2002:37).
Nota-se, então, que para a construção do texto acadêmico, é necessário ter claro quais são os limites e limitações das teorias com as quais se trabalha. A teoria não serve apenas para explicar o quanto as hipóteses são plausíveis, mas para elaborar os instrumentos e as técnicas de pesquisa e os parâmetros que interferem na interpretação dos dados. Tomemos como exemplo Saussure e Ducrot. Enquanto o linguista genebrino elabora uma linguística do sistema (língua), o teórico francês articula língua e fala, mostrando o uso a partir da língua. Nenhuma das duas teorias é melhor do que a outra, apenas são pontos de vista distintos. O conhecimento científico torna-se, então, uma constante busca por respostas e, ao encontrá-las, o pesquisador se depara com novos questionamentos e hipóteses.
Após abordarmos o gênero acadêmico-científico, desmistificando a ideia de que toda ciência é objetiva e apresenta verdades absolutas, descartando a subjetividade, pensamos que é relevante mostrarmos algumas convencionalidades desse gênero. Visto que a forma é constituinte do sentido, eis aqui a estrutura do texto acadêmico científico proposta por Magda Alves (2007). Para a autora o texto científico estrutura-se em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Antes de abordar o que essas três partes devem conter, Alves (2007) aponta alguns aspectos formais do gênero acadêmico-científico: o título e o subtítulo, se houver; o autor do texto, seguido de um indicador numérico para informar, em rodapé, sua titulação; o resumo ou abstract, que constitui uma apresentação concisa e seletiva do trabalho.
A introdução tem por finalidade apresentar o assunto ao leitor e colocá-lo a par da relevância do tema, e indicar qual o método que foi utilizado para elaborar as ideias. Para Alves (2007), a introdução deve definir o assunto/tema que foi tratado, situar o assunto em relação ao tempo, à relevância do problema, à contribuição que tal assunto traz para a sociedade e para o ser humano, situar o assunto no espaço geográfico, estabelecer os objetivos do trabalho e as questões de estudo levantadas, apresentar a metodologia de busca da solução do problema e mostrar como o texto está organizado.
Considerando os aspectos linguísticos, Alves afirma que a impessoalidade no texto, ou seja, o uso da terceira pessoa do singular na voz ativa, é permitida pela comunidade científica. Como sabemos que todo texto, independente do gênero, apresenta um caráter subjetivo, admite-se usar a primeira pessoa do plural (Pretendemos, neste estudo...) e a primeira pessoa do singular (Eu pretendo, nesse estudo). Sabemos que essa última ocorrência é menos usual, mas não está incorreta. A autora salienta ainda que é necessário evitar termos imprecisos, vagos, ambíguos, e ao utilizar uma terminologia técnica, explicar o sentido de forma que deixe claro para o leitor.
Considerando o desenvolvimento, sabe-se que ele é o corpo do trabalho. Geralmente é apresentado de forma descritiva e tem a finalidade de expor e demonstrar o objeto de estudo. Além disso, as proposições devem estar relacionadas, mostrando coerência entre as ideias. Para que a construção seja promissora, é preciso que o autor evite generalizações (“todos sabem que”, “alguns autores afirmam”, “geralmente...”). Não usando frases muito longas, palavras supérfluas, pedantismos, gírias na argumentação (marca do uso da língua), aumentativos, diminutivos e superlativos, tem-se homogeneidade de estilo e texto estritamente acadêmico.
A conclusão, por sua vez, constitui a fase final do processo de elaboração do texto científico, que teve início na introdução. É também um momento de recapitulação das conclusões a que o autor chegou em cada parte do desenvolvimento. Deve obter também a análise das hipóteses, conclusões a que o autor chegou ao longo de sua busca. A comunicação dos resultados é imprescindível e necessita ter uma relação estreita com os objetivos perseguidos e com as questões levantadas. Ideias novas não devem ser colocadas, elas devem ser fruto de outra pesquisa científica. A última parte que identifica um texto como sendo científico é a inclusão de referências, que fornece todas as indicações detalhadas sobre as fontes e documentos, entre outros elementos utilizados para a elaboração do texto.
Percebe-se, dessa forma, que um texto acadêmico apresenta características bem determinadas: toda hipótese deve ser fundamentada por uma teoria, que é permeada por conceitos que a definem e a distingue de outras. Além de conceitos, uma teoria apresenta marcas linguísticas bem específicas representadas pelos termos técnicos. A comunidade científica deve ter o domínio da teoria, dos conceitos e dos termos técnicos para que a pesquisa tenha um caráter acadêmico.
Com as características peculiares do gênero acadêmico-científico, pensamos que uma perspectiva tradutória é fundamental, pois analisaremos textos traduzidos e seus possíveis desvios de sentido.

Leia também: Quanto custa a revisão de textos? - Erros mais comuns - Estratégias para promover a revisão - Pleonasmo

1 de julho de 2010

Para publicar seu texto


Revisar o texto
Alguns revisores que trabalham para as editoras costumam recusar certas palavras e construções que até mesmo escritores consagrados ou o autor do “Aurélio” admitem. Por isso, os autores que queiram ver seus textos transformados em livro devem prestar atenção para os usos das seguintes palavras ou expressões (que, de resto, inevitavelmente serão alteradas pelos zelosos revisores - segundo a norma a que se submetem):
  • A partir de: Os puristas argumentam que essa expressão indica tão somente temporalidade. Para indicar uma precedência lógica, pressupostos, paradigmas etc., recomenda-se usar as fórmulas como “com base em”, “tomando-se por base” etc.
  • Através de: Segundo os revisores, “através” só pode ser empregado em frases que indicam o “atravessamento” de algo num meio (por exemplo, “a luz veio através da janela”). Quando não se tratar disso, eles recomendam usar “por meio de”, “mediante”, “por” etc. (“expor por meio de exemplos” e não “através de exemplos”).
  • Devido a: Os revisores sistematicamente substituem essa expressão por “em virtude de”, “em razão de” etc. Nós não entendemos assim.
  • Este(s), esta(s), isto/Esse(s), essa(s), isso: A rigor, “este(s)”, “esta(s)” e “isto” designam aquele elemento que na frase esteja imediatamente antes. Como tais designações, geralmente, têm como referente o que se disse palavras atrás, o correto nesses casos é empregar “esse(s)”, “essa(s)” e “isso”. Mas “este(s)” e “esta(s)” são também empregados para designar aquilo que, fora do texto, refere-se ao próprio texto ou ao local e ao momento em que ele se encontra: “Este texto (que o leitor tem em mãos), foi escrito neste país, neste século”.
  • Inclusive: Alguns revisores, ao contrário do “Aurélio”, não admitem o uso desse vocábulo como sinônimo de “até mesmo”. Não vemos problema neste emprego.
  • Artigo ou pronomes indefinidos. Seja econômico em seu emprego, há uma epidemia deles nos textos atuais.
  • Revisão não é opcional, contrate sempre um revisor de confiança.

Leia por aqui:

    Normas básicas de digitação



    Digitar rápido, depois revisar o texto.
    1. • A lacuna que separa os elementos gráficos (por exemplo, entre duas palavras) deve ser feita por um e apenas um espaço.
    2. • O recuo do parágrafo, o alinhamento recuado das citações ou das tabelas etc. devem ser feitos por tabulação (ou então pelo recurso de estilo ou modelo, dos programas de edição de texto do computador).
    3. • Não há espaço antes da pontuação (ponto, ponto-e-vírgula, vírgula, dois pontos).
    4. • Há um espaço (e apenas um) depois da pontuação (ponto, ponto-e-vírgula, vírgula, dois pontos), a não ser na pontuação empregada nos numerais.
    5. • Não há espaço depois do parêntese que abre nem antes do parêntese que fecha.
    6. • Não confundir hífen (-) com vírgula inglesa (–) nem com travessão (—). Programas de editoração eletrônica que convertem automaticamente dois hífens em um vírgula inglesa, se forem configurados para isso. Cada um tem sua função no texto.
    7. • Não há espaço nem antes nem depois do hífen. Há espaço antes e depois da vírgula inglesa e também depois do travessão
    8. • Não se coloca vírgula depois de vírgula inglesa (–,); opte pelo que melhor convier.
    Fonte: Normas PUC/SP - Adaptado.

    Agora você pode ler: Quanto custa a revisão de textos? - Foco em revisões de tese e dissertações - Como funciona? - Recomendações dos orientadores

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