24 de novembro de 2010

Capas de trabalho acadêmico

Nunca deixe a revisão do texto para a última hora.
Capa de monografia IFAC/UFOP
Muitos dos acessos a este blog têm sido feitos em busca de imagens de capas de trabalhos acadêmicos e informações sobre sua elaboração. Somos levados a crer que o assunto gera mais dificuldade e interesse que suporíamos; por isso, vamos colocar algumas considerações que temos sobre a questão, observando que são pontos de vista nossos sobre o caso - distantes em alguns casos de quaisquer normas institucionais.
A maior parte das instituições brasileiras alega adotar as normas da  ABNT sobre o assunto, mas as modifica, adaptando segundo seu entendimento da questão. Acreditamos que, na verdade, costumam dar mais atenção à capa que deveriam e aumentar o problema além do que ele mereceria. Em parte, isso reflete aquela antiga postura escolar, de fazer a capa bem bonita, para que ela esconda um trabalho não tão bom.


Toda boa tese merece revisão na Keimelion.
Capa de dissertação PUC/SP
Existe, por parte das instituições, um salutar interesse em simplificar as capas e a diretriz de padronizar o elemento - o que nem sempre é tão necessário ou importante. As regras, tanto as da ABNT quanto as das instituições de ensino, geralmente não se adaptaram às múltiplas possibilidades agregadas pelos editores de textos e regulam a questão como se os trabalhos ainda fossem feitos à máquina de escrever. Desconsideram a possibilidade de recursos gráficos, fingem desconhecer a variação do tamanho das letras (corpo da fonte), exigindo o uso de capitais (minúsculas) sem nenhuma necessidade, nem mencionam a possibilidade de ilustração.

Para discutir o caso, vamos entender primeiro o que é, ou deveria ser a capa: todo mundo sabe que capa é aquilo que reveste o trabalho, dando-lhe cobertura e proteção - bem como a apresentação inicial do conteúdo do volume. Pois bem, capa é o exterior! Mas muitas vezes temos observado que, em volumes encadernados, com os dizeres formas impressos na capa-dura, quando se abre o trabalho, a primeira coisa que se encontra é... Outra capa!
Revisamos dissertação e tese com pontualidade.
Capa de dissertação - USP
Trata-se evidentemente de um equívoco de interpretação (sem nenhum dano importante, note-se), mas depois da capa (dura) o que deveria vir seria a folha de rosto, tal como a conhecemos.

As capas de papel só fazem sentido naqueles volumes provisórios encadernado em espiral e cuja cobertura transparante permite que as informações da primeira folha (que assume a função de capa) fiquem à vista. Nos casos de encadernação dura, de capa opaca, a folha com os dados da capa se presta a que o encadernador componha a  capa, imprimindo em caracteres metálicos sobre o cartão do revestimento.

Observemos, neste ponto, que os encadernadores, em geral, não possuem a mesma amplitude de recursos e liberdade que temos de uso (em tese, mas formalmente é vedada) de fontes e corpos variados. Portanto, não se pode ser muito criativo no tradicional formato de capa dura escura com letras douradas - nem é isso que as instituições preconizam.


A dissertação bem revisada garante a clareza do texto.
Capa de dissertação PUC/PR
Já as modernas gráficas rápidas dispõem de recursos que possibilitam a impressão de capas em policromia e com imagens e composição gráfica sofisticada - o que execrado pelas normas e maioria dos programas de pós-graduação como se uma capa moderna afastasse a a qualidade do conteúdo.


Então continuamos a depositar teses, dissertaçõe monografias com as capas que seriam possíveis nos primórdios do século passado, descnsiderando cem anos de evolução gráfica.

Somente os cursos mais abertos, de arte, ou de design, segundo temos observado, têm dado abertura para as capas serem feitas segundo os recursos disponíveis, fugindo das limitações que não existem mais.
 
Aqui apresentamos algumas capas que ilustram as questões que já apontamos, e que se revestem de questiúnculas (questões irrelevantes - mas só mesmo essa palavra antiga para bem expressar os casos) sobre as quais teceremos considerações.

A primeira das capas aqui (monografia IFAC/UFOP) contraria tudo que ABNT e a maioria das normas intitucionais postula. Cor, grafismo, fotografia. Além desses elementos, facilmente verificáveis, o trabalho foi impresso em formato diferente dos comuns (A4 - predominante ou ofício - mais raro), sendo o papel cortado na proporção áurea, por necessidade do discurso do texto.

A melhor revisão de textos não pode ser barata.
Capa monografia
 A segunda capa (dissertação PUC/SP) exemplifica duas coisas que não nos agradam: o nome da instituição precedendo o do autor (já vimos referência a mecanismos de indexação que interpretam, em casos semelhantes, a instituição como sendo autora), claro detrimento à pessoa em benefício da corporação; e o uso de caixa alta e textos da capa, recuso antiquado de composição, quando se pode usar o tamanho da fonte e o negrito com muito melhor resultado gráfico.

A capa seguinte (monografia USP), apresenta o nome da instituição ao pé da página (o que diverge da ABNT, mas que me parece pertinente) mas duplica a informação da cidade, já contida no nome da instituição - pecando por excesso onde a síntese poderia ser privilegiada. No mesmo sentido, a capa da dissertação (PUC/PR) que segue, apresentando excessivas informações institucionais no tope, relegando o autor. Aqui ainda vemos uma capa de monografia que contém as informações da natureza do trabalho que deveria ser limitadas à folha de rosto.


Artigo científico precisa de revisor profissional.
Capa de tese PUC/SP
A seguir, o exemplo ao lado (tese, PU/SP) é uma capa que já apresenta alguns dos problemas anteriormente delineados, excesso de informação, letras capitais, nome da instituição do topo. Mas o depósito dos exemplares com essa capa foi recusado pela funcionária (mais um juiz no caso!) por conter a logomarca da instituição - o que foi feito com base na norma da PUC para uso daquela peça gráfica, um caso de conflito de normas internas, da instituição em geral com as normas particulares da pós-graduação ou da biblioteca. Aqui é o caso de que manda quem pode, obedece quem tem juízo, ou seja: não se pode ficar preso ao que dizem as instruções formais, mas deve-se atentar à interpretação que o menos relevante funcionário que intervier  tem delas. No caso, observar essas interpretações é a regra de ouro.

Talvez não tenhamos resolvido aqui nenhum problema quanto à elaboração de capas, mas apresentamos alguns dos problemas existentes. Infelizmente essas questões costumam vir a ser mais uma dor de cabeça para as pessoas, sem nenhuma necessidade disso.

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