26 de abril de 2009

Emprego do verbo haver

É preciso haver cuidado no uso
do verbo haver.
O verbo haver é fonte permanente de erros.
Cuidado com os seguintes casos:
  1. no sentido de existir ou para designar tempo passado, o verbo tem construção impessoal na terceira pessoa do singular: “Há jogos educacionais que podem propiciar ao aluno ambiente de aprendizagem rico e complexo” (PINTO, 2001:74); “Já na década de 40, houve intensas transformações espaciais” (RODRIGUES, 2002:60); Nestes casos, não há por que confundi-lo com a preposição a;
  2. na forma composta, quando haver é o verbo principal, o auxiliar se torna também impessoal: “Em relação ao produto final obtido, deve haver algum retorno.” (RODRIGUES, 2002:1);
  3. evitar o pleonasmo no uso do advérbio atrás: diz-se – Dez anos atrás – ou: Há dez anos; nunca: Há dez anos atrás; “Esse bairro surgiu há aproximadamente 20 anos…” (RODRIGUES, 2002:49);
  4. usa-se havia em locução verbal com verbo no pretérito imperfeito: Estava no cargo havia três anos; nunca: Estava no cargo há três anos;
  5. não se emprega há, mas a preposição a, para indicar distanciamento no tempo (futuro ou passado) ou no espaço: A peça estreia daqui a duas semanas; A um ano da morte de Tancredo Neves, o Congresso realizou sessão solene em sua memória; “E a distância do percurso entre a casa onde mora e o nicho agrícola onde trabalha é geralmente em torno de um a dois quilômetros” (RODRIGUES, 2002:104).

O assunto que você procurou, a matéria deste post e muito mais sobre redação, especialmente a destina às universidades, está em nosso manual.

O objetivo deste Manual Keimelion 2010 para redação acadêmica é subsidiar a produção de textos científicos, fornecer elementos para que os aspectos linguísticos e formais não constituam grandes obstáculos ao trabalho. Nele se encontram indicações de procedimentos a serem seguidos ou evitados. São fornecidas sugestões de apresentação dos trabalhos, de acordo com as usuais formatações e regras de referência.
É a nova edição revisada, ampliada e atualizada pela nova ortografia. Agora disponível para impressão sob demanda. Você pode comprar neste link.

Locuções com e sem crase

Keimelion: atenta às locuções.


Relação das locuções que podem apresentar dúvida quanto ao emprego da crase.
Fonte: Manual de Redação do Jornal O Estado de São Paulo.


Locucões Com e Sem Crase


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QUEM SABE REVISAR?

O que as investigações realizadas sobre a revisão demonstram é que os autores veem a escrita como processo de etapa única, em que o texto, uma vez escrito no papel ou no computador, não é mais alterado. Mesmo com o uso de processadores de texto, onde fica extremamente fácil introduzir qualquer modificação no texto, as revisões permanecem escassas.
Quem pode revisar?
Se deixados por sua conta, os autores não revisam seus textos espontaneamente, quer contando com a facilidade proporcionada pelo computador, quer com a presença de outros recursos, como dicionários ou gramáticas. Descartam também o fato de que resultados melhores são obtidos com a adoção de intervenções do revisor no texto. Situações em que há encaminhamento do texto ao revisor e em projetos colaborativos, onde autores de obras coletivas escrevem e lêem os textos uns dos outros, geram resultados significativamente melhores que os obtidos por autores que se isolam. Na medida, porém, em que a revisão é forçada pela necessidade do revisor profissional ou feita com a ajuda do colega, em procedimento cooperativo (também propiciado pelo revisor), ela deixa de existir como auto-revisão, na acepção exata do termo.
A questão não respondida é se o autor sabe ou não revisar seu próprio texto, se é capaz de fazer a auto-revisão. Há, na interpretação da bibliografia revisada, uma confusão entre não fazer e não saber. Sabemos que os autores espontaneamente não revisam seus textos, mas não sabemos se eles realmente não sabem revisar. Não revisar é diferente de não saber revisar. É possível que esses mesmos autores, que não revisam seus textos, saberiam como fazê-lo se estivessem numa situação em que a auto-revisão fosse de alguma maneira inevitável.
Define-se a revisão como a introdução de interferências no texto visando sua melhoria. Essas mudanças podem atingir palavras, frases ou parágrafos e ocorrem por exclusões, inclusões, inversões ou deslocamentos. Tratando-se de um processo de auto-revisão, as mudanças são feitas pelo próprio autor sem a ajuda do colega ou do revisor.
Para revisar basta saber português?
Os autores serão capazes de revisar autonomamente seus textos? Se revisarem, que aspectos irão privilegiar? Ortografia? Vocabulário? Sintaxe? Estilo? Conteúdo?
A hipótese que assumimos é que, dadas as condições, o autor é capaz de fazer a revisão de seu próprio texto. Essa revisão pode afetar questões de correção gramatical (ex.: ortografia, concordância), mas principalmente as questões de estilo, incluindo aí mudanças na seleção de vocabulário – substituindo, por exemplo, palavras de sentido vago por palavras mais precisas – e de construções sintáticas – incorporando, frases simples num período composto por mecanismos coesivos. Essas mudanças podem não tornar o texto mais correto gramaticalmente, porém mais coerente, fluente, expressando melhor a relação entre as idéias. O autor não vai primeiro escrever errado para depois escrever certo. A hipótese é de que ele já vai tentar escrever corretamente na primeira versão, conseguindo se tiver a necessária competência. O que ele vai procurar é melhorar a expressão de suas idéias, tornando-as provavelmente mais claras na reescritura.
A condição que requer a necessidade do revisor profissional é a qualificação da competência formal somada a da alteridade interveniente. É provável que o autor, ao perceber que, de certa maneira, tem que reescrever todo o texto a cada releitura, acabasse introduzindo as mudanças que, em sua opinião pudessem melhorá-lo, todavia passa a reler cada vez mais superficialmente, posta a intimidade cada vez maior entre produtor e produto.
Livremente adaptado de: LEFFA, Vilson J. O processo de auto-revisão na produção do texto em língua estrangeira. Trabalho apresentado no XI Encontro Nacional da ANPOLL, João Pessoa, 2 a 6 de junho de 1996.

25 de abril de 2009

Estratégias para promover a revisão

Um levantamento dos estudos realizados sobre mostra que existem várias propostas para ajudar o autor a revisar seu texto. Entre essas propostas, destacam-se o uso de instrumentos adequados e os projetos colaborativos.
Revisão de textos é o ofício de estar atento ao
detalhe e ao conjunto.
O feedback do revisor é, de todos os instrumentos, o que causa menor impacto na produção textual do autor. Estudos realizados têm demonstrado que as correções e comentários do no texto apenas surtem efeito quando há um retorno do texto do autor para o revisor após o feedback. Não havendo esse retorno, as correções são geralmente ignoradas e os autores, via de regra, vão repetir os mesmos erros nos textos seguintes. A produção textual neste caso parece que é vista pelo autor como um processo em que ele escreve, o revisor “corrige” o texto, devolve para o autor ou editor e isso encerra o ciclo.
O uso de instrumentos adequados, inclusive os recursos eletrônicos de editoração e correção, bem com listas de verificação de erros comuns (checklist) são recursos eficazes do processo de revisão. Os exemplos abaixo, extraídos de instruções do On-Line Writing Lab (1995), dão uma ideia do que pode ser incluído num roteiro de revisão:
  • Sou gentil com meu leitor incluindo no meu texto o que ele precisa saber e só o que ele precisa saber?
  • Meu texto tem uma tese ou propósito?
  • Os parágrafos se relacionam com a tese ou propósito?
  • Cada parágrafo tem um tópico frasal com a ideia central?
  • Os detalhes de cada parágrafo se relacionam com a ideia central?
  • Alguns detalhes devem ser movidos para outro parágrafo?
  • Há uma frase de conclusão para o parágrafo?
  • Há transição entre os parágrafos?
  • O verbo concorda com o sujeito?
  • A relação pronome/antecedente está correta?
  • Cada frase contém uma oração independente e apenas uma?
  • Há frases muito longas que devem ser separadas?
  • Há sequências de frases muito curtas?
  • Há palavras faltando?
  • Há palavras repetidas?
No momento em que o texto é escrito, lido e revisado, ele passa a atender também as exigências do leitor, incorporando suas características. No processo de negociação que se estabelece entre escritor e leitor, o escritor não escreve mais só para si, mas também para o outro, iniciando a longa aprendizagem que o pode levar à consciência da necessidade de cativar o leitor, aperfeiçoando o senso de público. Nesse processo é que intervém o revisor como mediador, como crítico externo. Quando o autor perceber que o leitor não é cativado apenas pelo conteúdo do texto, mas principalmente também correção gramatical e estilo, ele poderá sentir a necessidade de considerar as questões globais, com ênfase na produção de sentido comunicativo, segundo as propostas do revisor.
Parcialmente adaptado de: LEFFA, Vilson J. O processo de autorrevisão na produção do texto em língua estrangeira. Trabalho apresentado no XI Encontro Nacional da ANPOLL, João Pessoa, 2 a 6 de junho de 1996.

24 de abril de 2009

A utopia da autorrevisão

A autorrevisão na produção textual tem sido geralmente vista como uma utopia, tanto em língua materna como estrangeira. Entre as explicações que se podem oferecer para essa dificuldade em levar autor a revisar seu próprio texto estão um conceito errôneo de revisão por parte do produtor do texto, a dificuldade de detectar os problemas do próprio texto e uma espécie de resistência passiva em modificar o que já foi escrito.
Não se pula o labirinto da revisão de texto
A maioria dos autores parece conceber a revisão como um recurso que é usado apenas quando algo sai errado na tentativa de escrever e que envolve aspectos superficiais da frase. Revisar é corrigir, dar um tratamento cosmético ao texto, sem repensar o que foi escrito, sem necessidade de reescrever o texto (Sommers, 1982). A revisão não é vista pelos autores como o centro do processo da escritura, o instrumento pelo qual as ideias emergem e evoluem e o sentido é construído, mas apenas como a última leitura que se faz do texto tentando detectar algum erro superficial de ortografia ou de gramática. Estudos realizados com autores universitários  mostram que a revisão é feita principalmente para corrigir problemas superficiais de ortografia, pontuação e gramática. Raramente os autores fazem mudanças globais no texto, reescrevendo partes maiores, acrescentando ou tirando ideias. No momento em que a revisão deixa de ser vista como um processo necessário na construção do texto e passa a ser vista como um mecanismo de correção de algo que foi mal construído, a atitude do autor é negativa e a preocupação é a de evitá-la.
Existe também o problema de o autor não conseguir detectar os erros, quer seja por não percebê-los numa leitura mais rápida quer por desconhecer o problema, devido à incompetência linguística. Pode ser, portanto, um problema de falta de atenção ou de falta de conhecimento. Sabe-se que a incapacidade de detectar o erro (hipótese do déficit de processamento) é um problema maior do que a capacidade de saber como resolvê-lo (hipótese do déficit de conhecimento).
Finalmente, existe também a resistência passiva do autor em não querer revisar o texto. Vários estudos mostraram que os autores não reformulam espontaneamente o que já escreveram, apesar das anotações e sugestões dos revisores, que muitas vezes não são nem lidas pelo autor.
Adaptado de: LEFFA, Vilson J. O processo de auto-revisão na produção do texto em língua estrangeira. Trabalho apresentado no XI Encontro Nacional da ANPOLL, João Pessoa, 2 a 6 de junho de 1996, p. 390.

Pleonasmo


Pleonasmo quer dizer sobejidão de palavras, o qual então o cometemos quando se dizem algumas que se podiam escusar, como Oulhou-me com os seus olhos, e Falou-me com a sua boca: porque ninguém pode oulhar e falar senam per olhos e boca própria.
(João de Barros, Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, 1540, 36v)

Pleonasmos viciosos (a serem evitados ao máximo):
Antes de que; * Após a; * Aproximadamente quase; * Biografia pregressa; * Blitz relâmpago; * Cerca de quase; * Chover chuva; * Completamente exausto; * Competir com; * Con… com; * Concorrer com; * Conjunto com; * Consenso geral; * Cujo o/ cuja a; * Descer para baixo; * E nem; * Elo de conexão (de ligação); * Encarar cara a cara; * Encontrar com; * Enfrentar de frente; * Enxugar totalmente; * Erário público; * Exaurir tudo; * Hemorragia de sangue; * Histeria feminina; * História pregressa (prévia, etc); * Individual de cada um; * Inserir dentro; * Junto (juntamente) com; * Laços de aliança; * Lugar (local) onde; * Mas apesar de; * Mas também; * Monopólio exclusivo; * Neve fria; * Outra alternativa; * Panorâmica geral; * Parâmetro de comparação (de referência); *Passar a páscoa; * Perante a; * Pescar peixe; * Plebiscito popular; * Preço caro (ou barato); * Re… de novo; * Reincidir de novo; * Repetir de novo; * Sabatina de perguntas; * Sonhar sonho; * Subir para cima; * Suceder depois (em seguida); * Suposição hipotética; * Um único; * Unanimidade de todos; * Ver com os olhos; * Visor ótico; * Voltar para trás; * Vou ir; *

Atenção especial às formações verbais, nominais e verbo nominais cujo núcleo contenha o complemento proposto, observar etimologia remota.


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É a nova edição revisada, ampliada e atualizada pela nova ortografia. Agora disponível para impressão sob demanda. Você pode comprar neste link.

23 de abril de 2009

Palavras duvidosas - nova ortografia


A nova ortografia, mesmo com a edição do Vocabulário Ortográfico, ainda suscita muitas dúvidas; dentre elas:
destróier

A palavra destróier ainda aguarda uma definição oficial sobre sua grafia.
Leia os detalhes em www.UmPortugues.com/destroier

dia-a-dia

As locuções dia-a-dia e corpo-a-corpo ainda aguardam uma definição oficial sobre sua grafia.
Leia os detalhes em www.UmPortugues.com/dia-a-dia

paralamas

Palavras com o prefixo PARA- ainda aguardam uma definição oficial sobre sua grafia.
Leia os detalhes em www.UmPortugues.com/prefixo-para

reescrever

Palavras com o prefixo RE- seguido de E ainda aguardam uma definição oficial sobre sua grafia.
Leia os detalhes em www.UmPortugues.com/prefixo-re

Objetivo do trabalho acadêmico

Defesa de tese? Revisão primeiro!
As diversas finalidades do trabalho acadêmico podem se resumir em apresentar, demonstrar, difundir, recuperar ou contestar o conhecimento produzido, acumulado ou transmitido.


Ao apresentar resultados, o texto acadêmico atende à necessidade de publicidade relativa ao processo de conhecimento. A pesquisa realizada, a idéia concebida ou a dedução feita perecem se não vierem a público; por esse motivo existem diversos canais de publicidade adequados aos diferentes trabalhos: as defesas públicas, os periódicos, as comunicações e a multimídia virtual são alguns desses.
A demonstração do conhecimento é necessidade na comunidade acadêmica, onde esse conhecimento é o critério de mérito e acesso. Assim, existem as provas, concursos e diversos outros processos de avaliação pelos quais se constata a construção ou transmissão do saber.
Trabalho acadêmico precisa de revisão.
Difundir o conhecimento às esferas externas à comunidade acadêmica é atividade cada vez mais presente nas instituições de ensino, pesquisa e extensão, e o texto correspondente a essa prática tem característica própria sem abandonar a maior parte dos critérios de cientificidade.
A recuperação do conhecimento é outra finalidade do texto acadêmico. Com bastante freqüência, parcelas significativas do conhecimento caem no esquecimento das comunidades e das pessoas; a recuperação e manutenção ativa da maior diversidade de saberes é finalidade importante de atividades científicas objeto da produção de texto.
Quase todo conhecimento produzido é contestado. Essa contestação, em que não constitua conhecimento diferenciado, certamente é etapa contribuinte no processo da construção do saber que contesta, quer por validá-lo, quer por refutá-lo.
As finalidades do texto acadêmico certamente não se esgotam nessas, mas ficam aqui exemplificadas. Para atender à diversidade dessas finalidades, existe a multiplicidade de formas, entre as quais se encontram alguns conhecidos tipos, sobre os quais procurarei estabelecer o conceito difuso.



Manual para
redação acadêmica
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Também de seu interesse: 

15 de abril de 2009

Fale certo: Ædes ægypti

Aqui escrevemos com as letrinhas latinas (Æ, æ) que estão bem escondidas no seu computador, mas pode escrever Aedes aegypti mesmo. Aedes é um género de mosquito originalmente em zonas tropicais e subtropicais. O nome vem do grego aēdēs que significa desagradável ou odioso, possivelmente devido às doenças transmitidas pelos insetos deste gênero, que incluem a dengue e a febre amarela.

Com a palavra:
Dad Squarisi


Emprego de este/ esse

A confusão entre estes dois pronomes demonstrativos e seus correlatos, sobretudo na linguagem oral, contribui para apagar importante distinção da língua. A nuance fica evidente quando se recorre à fórmula este aqui, esse aí, aquele lá.
Uso do demonstrativo em relação a quem fala.
O emprego dos demonstrativos ocorre em três relações:

a) em relação à pessoa que fala – Este, esta, isto são os pronomes que se relacionam com a pessoa que fala: “Com este relatório, os alunos do terceiro ano, turma 01, pretendem ampliar seu ponto de vista…” (FERREIRA, NRS, 2001:71). Esse, essa, isso são pronomes da pessoa a quem é dirigido o enunciado: “… o Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-obra – PIPMO, anteriormente vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, ficou subordinado a essa Secretaria Nacional de Mão-de-Obra, do Ministério do Trabalho” (FERREIRA, ML, 2001:64). Para a 3ª pessoa usam-se os pronomes aquele, aquela, aquilo: Aquele livro é dele;

b) em relação a espaço e tempo – Este, esta, isto indicam o que está perto da pessoa que fala. Por derivação, indica o aqui e agora: “Uma das contribuições que este trabalho pretende oferecer é a de apontar para a necessidade de outras pesquisas e ações experimentais…” (FERREIRA, ML, 2001:18).
O demonstrativo em relação espaço-temporal.
Esse, essa, isso têm emprego mais amplo. Indicam tudo o que está a certa distância da pessoa que fala: “Essas pesquisas começam a surtir efeitos, fazendo que as autoridades reguladoras e profissionais da contabilidade busquem soluções para minimizar esse problema” (MARTINEZ, 2001:1-2). Ligado à ideia de tempo, esse, essa, isso indicam geralmente o passado: Karl Marx é autor do século dezenove. Nesse período, as pessoas passaram a acreditar em revoluções. Pode indicar o futuro se houver a ideia de afastamento: No ano 2061 haverá grande acúmulo de progresso tecnológico, mas nada garante que esse tempo será menos turbulento que o atual.
Aquele, aquela, aquilo se referem a afastamento: Naqueles tempos, naquela cidade. Seu uso se confunde muitas vezes com o de esse, essa, isso; para evitar ambiguidade, prefira usar aquele, aquela, aquilo;

O demonstrativo em relação ao texto.
c) em relação ao próprio texto – Este, esta, isto referem-se a algo que acaba de ser mencionado ou será em seguida: “Entendendo-se que o princípio federal leva a um duplo governo, cada qual independente nas matérias sobre as quais competem, estranho que um viesse a influenciar o outro. Este argumento é explorado por Wheare…” (RIBEIRO, 2001:11).
Esse, essa, isso retomam passagem anterior do texto, como na expressão além disso. “… as atuais políticas para preparo dos profissionais da Educação, no País, parecem consoantes com esse outro modo de conceber tal formação…” (FERREIRA, ML, 2001:31).
Aquele, aquela, aquilo indicam o termo que se opõe a este, esta, isto: Guarujá e Campos do Jordão são cidades muito visitadas por turistas. Esta, pelo ar puro da montanha; aquela, pelas praias. Este é o emprego preferencial no trabalho acadêmico, por maior clareza e uniformidade.
Como regra geral, o texto deve evitar essas construções quando forem muito complexas. Às vezes é melhor repetir termos para não truncar a leitura.
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14 de abril de 2009

Colocação de pronomes

Neste capítulo da sintaxe as gramáticas não concordam. A maior parte da confusão vem do fato de que os pronomes oblíquos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos) são pronunciados de forma diferente em Portugal e no Brasil. Jamais ocorreria a um português, por menos instruído que fosse, dizer: Me parece que. O e do me praticamente não é pronunciado em Portugal; assim, o me antes do parece formaria um encontro consonântico de difícil pronúncia: m’p’rece q’. No Brasil, os pronomes oblíquos têm pronúncia mais acentuada. Já deixaram de ser átonos e caminham em direção ao tonalismo; hoje são semitônicos.
"O pronome é colocado onde soa melhor, naturalmente" - mas tal aforismo não se aplica ao termo formal, à linguagem acadêmica.


Até que esses pronomes se tornem de fato tônicos, formalmente, como exige a redação acadêmica, adotem-se as seguintes normas:

Próclise (pronome antes do verbo)

É o caso a que se deve dar preferência. É o mais próximo da linguagem coloquial do Brasil e na maioria dos casos não fere demais a norma culta: Eu o vi; Ele se informou são mais eufônicos no Brasil que Eu vi-o; Ele informou-se. A próclise é obrigatória na norma culta quando ocorrem certas palavras que têm uma espécie de poder atrativo: partículas negativas (não, ninguém, nada etc.), pronomes relativos (que, o qual, quem, quando, onde etc.), indefinidos (algum, alguém, diversos, muito, tudo), advérbios e conjunções (como, quando, sempre, que, já, brevemente, aqui, embora).

Ênclise (pronome depois do verbo)

Usa-se para evitar começar frase com pronome. É também comum com infinitivos, em orações imperativas ou com gerúndio. Na norma culta, prevalece sobre a próclise se não houver partícula que atraia o pronome. Não pode ser usada com futuro do presente ou do pretérito.

Mesóclise (pronome no meio do verbo)

É evitada ao máximo. Na norma culta substitui a ênclise em verbos no futuro do presente ou do pretérito: Nós analisaremos o seu site e apresentar-lhe-emos, com toda a imparcialidade técnica, a nossa crítica. É melhor dizer: Nós analisaremos o seu site e lhe apresentaremos, com toda a imparcialidade técnica, a nossa crítica. Diz-me como falas e dir-te-ei quem és – fica melhor assim: Diz-me como falas e te direi quem és.



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