Conjunção: uso e abuso

A revisão do texto sempre é necessária.
Usam-se conjunções e locuções conjuntivas quando tiverem a função de estabelecer nexo indispensável entre orações ou frases. A falta desses conectores pode tornar o texto fragmentado, obscuro. Quando não necessários, funcionam como obstáculo para a leitura, atravancando o texto.


Leia a crônica:
As conjunções adversativas


O elo entre elementos independentes pode ser eliminado: Oito pessoas foram detidas por atirar pedras nos policiais. A polícia recolheu dois coquetéis Molotov no local – em vez de Oito pessoas foram detidas por atirar pedras nos policiais. Por outro lado, a polícia recolheu dois coquetéis Molotov no local. A locução por outro lado nada acrescenta à simples sucessão de duas orações.

Não se deixa de empregar conjunção quando for indispensável para dar sentido: O dono do terreno disse não dar importância ao fato, mas chamou a polícia para retirar os invasores – em vez de: O dono do terreno disse não dar importância ao fato. Chamou a polícia para retirar os invasores. A relação de oposição entre as duas ações deve ser marcada pela conjunção adversativa mas.

Em resumo: verificamos se a conjunção pode ser suprimida sem prejuízo da clareza. Entre as mais frequentes e desnecessárias estão: contudo, porém, todavia, portanto, entretanto, no entanto, pois, logo, em decorrência de, por consequência, dessa forma, ao mesmo tempo, por outro lado, além disso, além do que, ao passo que, à medida que, à proporção que, ora… ora, ou bem… ou bem, por conseguinte.

Nunca se usam conjunções ou locuções conjuntivas que soem antiquadas: outrossim, não obstante, destarte, dessarte, entrementes, consoante, de sorte que, porquanto, conquanto, posto que.

Evita-se começar oração com a conjunção e: O ministro anunciou o novo plano econômico. E prometeu para hoje… O e no início da frase trunca a leitura, sem acrescentar informação. Normalmente pode ser suprimido.