15 de abril de 2009

Emprego de este/ esse

A confusão entre estes dois pronomes demonstrativos e seus correlatos, sobretudo na linguagem oral, contribui para apagar importante distinção da língua. A nuance fica evidente quando se recorre à fórmula este aqui, esse aí, aquele lá.
O emprego dos demonstrativos ocorre em três relações:

a) em relação à pessoa que fala – Este, esta, isto são os pronomes que se relacionam com a pessoa que fala: “Com este relatório, os alunos do terceiro ano, turma 01, pretendem ampliar seu ponto de vista…” (FERREIRA, NRS, 2001:71). Esse, essa, isso são pronomes da pessoa a quem é dirigido o enunciado: “… o Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-obra – PIPMO, anteriormente vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, ficou subordinado a essa Secretaria Nacional de Mão-de-Obra, do Ministério do Trabalho” (FERREIRA, ML, 2001:64). Para a 3ª pessoa usam-se os pronomes aquele, aquela, aquilo: Aquele livro é dele;

b) em relação a espaço e tempo – Este, esta, isto indicam o que está perto da pessoa que fala. Por derivação, indica o aqui e agora: “Uma das contribuições que este trabalho pretende oferecer é a de apontar para a necessidade de outras pesquisas e ações experimentais…” (FERREIRA, ML, 2001:18).
Esse, essa, isso têm emprego mais amplo. Indicam tudo o que está a certa distância da pessoa que fala: “Essas pesquisas começam a surtir efeitos, fazendo que as autoridades reguladoras e profissionais da contabilidade busquem soluções para minimizar esse problema” (MARTINEZ, 2001:1-2). Ligado à ideia de tempo, esse, essa, isso indicam geralmente o passado: Karl Marx é autor do século dezenove. Nesse período, as pessoas passaram a acreditar em revoluções. Pode indicar o futuro se houver a ideia de afastamento: No ano 2061 haverá grande acúmulo de progresso tecnológico, mas nada garante que esse tempo será menos turbulento que o atual.
Aquele, aquela, aquilo se referem a afastamento: Naqueles tempos, naquela cidade. Seu uso se confunde muitas vezes com o de esse, essa, isso; para evitar ambiguidade, prefira usar aquele, aquela, aquilo;

c) em relação ao próprio texto – Este, esta, isto referem-se a algo que acaba de ser mencionado ou será em seguida: “Entendendo-se que o princípio federal leva a um duplo governo, cada qual independente nas matérias sobre as quais competem, estranho que um viesse a influenciar o outro. Este argumento é explorado por Wheare…” (RIBEIRO, 2001:11).
Esse, essa, isso retomam passagem anterior do texto, como na expressão além disso. “… as atuais políticas para preparo dos profissionais da Educação, no País, parecem consoantes com esse outro modo de conceber tal formação…” (FERREIRA, ML, 2001:31).
Aquele, aquela, aquilo indicam o termo que se opõe a este, esta, isto: Guarujá e Campos do Jordão são cidades muito visitadas por turistas. Esta, pelo ar puro da montanha; aquela, pelas praias. Este é o emprego preferencial no trabalho acadêmico, por maior clareza e uniformidade.
Como regra geral, o texto deve evitar essas construções quando forem muito complexas. Às vezes é melhor repetir termos para não truncar a leitura.




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