11 de junho de 2017

Questões complexas da revisão de textos

O que predomina nos limites dos textos e dos processos de revisão de textos é a irregularidade, embora exista um padrão regular (semelhança) nessa forma de ser irregular. Como as coisas são medidas linearmente, com retas, e os limites são variáveis, a extensão do limite fractal das unidades frásticas depende da unidade padrão de medida, tendendo aquela ao infinito, quando a unidade padrão de medida tende a zero. Quanto mais se reduzir a unidade padrão de medida, mais se aumentará a extensão da coisa medida. A noção fractal de limites pode ser aplicada a limites cognitivos. Podemos, então, aumentar os limites de uma malha frasal reduzindo a unidade padrão de medida do conhecimento gerado pela textualização, obtendo conhecimento que vá aos mínimos detalhes. Dessa forma, uma revisão de textos pode aumentar seus limites:
O texto é uma estrutura
fractal complexa.
Dando maior atenção aos detalhes e desenvolvendo dados mais específicos acerca dos padrões textuais e processos de interferência, o que corresponde à redução da unidade de medida do padrão cognitivo;
Reformulando em termos fractais o padrão de textos e processos de revisão de textos já existentes, pelo desenvolvimento de novas interpretações tempo-espaciais. Com isso, a revisão de textos pode ter seus limites estendidos nos procedimentos de interpretação e interferência.

24 de maio de 2017

Revisão de textos: princípios fundamentais

O trabalho de revisão de textos, esse feito por profissionais que se dedicam com exclusividade ao ofício, principalmente, mas também no caso daqueles que, por formação ou vocação pelas letras, se pautam por meia dúzia de princípios que, a nosso ver, são fundamentais no ramo. Quando se trata de revisão de qualquer texto longo e complexo, e.g., dissertação ou tese, a necessidade e a aplicação desses princípios são ainda de maior importância. Esses princípios devem andar juntos, como a base em que a revisão de textos de sustenta. Os princípios fundamentais da revisão de textos fornecem a base teórico-metodológica para o julgamento do revisor, ao mesmo tempo que os parâmetros o fazem sobre o aspecto empírico. Também foram propostos parâmetros concretos para orientar o trabalho do revisor, do que trataremos em outro tópico.

Princípio da alteridade

Revisar um texto não é exatamente um processo meramente intuitivo!
Conheça os princípios pelos
quais a boa revisão de textos
deve se pautar.
O revisor não pode ser o autor, isso não faz sentido. Dito de outro modo: ninguém está apto a revisar aquilo que escreveu! O autor revê, reescreve, atualiza, aperfeiçoa seu texto. Mas a atividade de revisão do texto, tal como nós a entendemos e praticamos, é aquela – necessariamente – feita por alguém que tenha estado distante da redação do texto em qualquer de suas etapas. É necessário que o revisor tenha distanciamento, que nunca tenha lidado com aquele assunto – ou aquela abordagem dele, se possível, para que ele possa se colocar na persona do leitor, tentando compreender as ideias sem outra influência que aquelas das palavras que se apresentam. Há profissionais de alfabetização ou de treinamento para redação que tratam a atenção que o autor, o aprendiz aqui, deve ter para com sua produção como revisão. Do nosso ponto de vista, não é boa essa terminologia; aqui caberia correção, leitura cruzada (quando se trata de colegas interagindo) e algo assim, pois o revisor de textos profissional é o leitor qualificado pelo domínio da língua. Revisar um texto é ter capacidade de interferir nele como quem vem de fora (alteridade!) e domina a mídia, o texto! Temos batido um pouco nessa tecla.

13 de maio de 2017

Fraudes acadêmicas

Pensando a corrupção acadêmica

Os estudos que existem sobre a corrupção no ensino, e já não são poucos, envolvem pesquisa do lado da demanda, a oferta permanece livre, leve e solta. Essa tendência é explicada pelo fato de que esses estudos são baseados em pesquisas e entrevistas realizadas com clientes em potencial, os alunos e outros sujeitos que demandam por textos sem se darem ao trabalho de os produzir. Devido à natureza ilícita da atividade fraudatória e a falta de quaisquer dados fiáveis, nossa discussão não passa de questionamento antropológico narrativo do lado da oferta do mercado de dissertações. Nossas observações não passam muito de ilações e se constituíram de acordo com a meta e os meios disponíveis; não temos provas, mas temos convicção. As observações que fazemos, de nossa pequena gávea de revisores diante do mercado textos, incluem o estabelecimento do problema da corrupção na pós-graduação, e esbarram na impossibilidade de identificação dos fornecedores de textos apócrifos, serviços que oferecem diferentes tipos de trabalhos (prontos e acabados) no contexto do sistema educativo.
Os textos são propriedade intelectual de quem os concebe e cria.
Nós devemos combater todas
as práticas antiéticas.
Ainda não foi realizado no Brasil um estudo do mercado “dissertações para venda” – o grande nicho dos provedores do serviço de fraude acadêmica; não há classificações de tipos de serviços oferecidos ou preços praticados. Nessa nossa breve digressão sociológica, apenas focamos os textos como o produto em demanda – deixando de lado a compra de diplomas (que vai desde a mais simples falsificação do documento, até a fraude completa em que o documento forjado é registrado na instituição que não o emitiu, mas onde consta ter sido emitido). Todos esses e outros “produtos” congêneres podem ser comprados por encomenda on-line. Teses são um produto específico muito mais sofisticado e o mercado delas é bastante singular.

11 de maio de 2017

O texto e seus cognatos

Precisão dicionarística

Espera-se de um revisor uma memória aguçada, um arquivo cerebral repleto de pastas e subpastas de termos e verbetes prontamente disponíveis para serem utilizados. O revisor deve conhecer todos os elementos textuais, seus usos e, também, saber distingui-los uns dos outros. Sim? Sim, claro! Um revisor diligente poupa tempo e, consequentemente, pode acabar faturando mais; no entanto, mesmo os profissionais mais atentos e aplicados tendem a parar diante de determinados obstáculos e recorrer a manuais ou mecanismos de busca online, a fim de sanar a intempérie. Tudo bem não saber tudo; contando que você saiba o que procurar e onde procurar.
O texto é uma árvore com galhos e raízes em todas as direções.
A palavra texto tem derivado
em muitas expressões de uso
dos linguistas e escritores.
Vamos conversar sobre alguns verbetes que podem causar confusão por causa do radical que compartilham: text. Será, em grande parte, uma conversa sobre terminologias, algumas suficientemente amplas a ponto de incluírem outras. Ressalto que nenhuma delas é dispensável, embora, muitas vezes, passem despercebidas devido ao trabalho intuitivo com que redatores, editores e revisores estão habituados. Ao fim, os termos apresentados no decorrer do texto (e alguns poucos não citados anteriormente) estarão dispostos em uma pequena compilação com seus significados.

Colcha de retalhos

A palavra “texto” tem origem no latim textus (MICHAELIS) que, por sua vez é derivada de outra palavra do latim, texere, que significa tecer. Assim, temos o texto como um conjunto de elementos que se entrelaçam e formam um todo. Muitos desses elementos são outros tipos de texto, o que me leva a pensá-los como algo semelhante à Matrioska – bonecas de origem russa que trazem uma equivalente a si, mas de tamanho reduzido, em seu interior e que, por sua vez, também contém outra boneca similar de menores proporções, e assim em diante, culminando em uma boneca minúscula. Contudo, os elementos textuais são mais dinâmicos, não se limitando somente ao interior do texto ao qual se referem, mas ocupando, também, espaços fora dele. Estamos falando sobre subtexto, hipertexto, paratexto, entre outros cognatos – frações de textos que constituem um manto maior.