19 de abril de 2017

O papel da revisão de textos acadêmicos: abordagem cultural

O trabalho científico consiste de duas partes heterogêneas: a investigação (pesquisa) e a comunicação (publicação).

As duas são pertencentes a diferentes sistemas cognitivos e semióticos da língua viva, que inclui ruído, texto e também elementos multi e intertextuais (imagens, movimentos, gráficos, animações, personagens, paisagem, atmosfera, efeitos). Quanto à parte verbal, que é o tema do nosso interesse, em si, também não é homogênea. Existem duas formas bem distintas de comunicação verbal: escrita (texto, artigo, comunicação, tese) e oral (aulas, palestras, colóquios, defesas, debates). Em um trabalho científico, esses componentes são organizados de maneira a constituir um conjunto de elementos inseparáveis. Como o revisor só pode intervir na componente linguística, deixando inalteráveis as informações contidas na parte não-verbal, alguns pesquisadores preferem destacar texto escrito como o principal objeto do estudo e ação do revisor, o que atualmente pode ser questionado, em tese, mesmo que, inegavelmente, seja o que ocorre, de fato.
Escrever e revisar são duas etapas inerentes e indissociáveis da comunicação científica.
A comunicação científica
coroa a investigação e o
título acadêmico.

O papel do texto acadêmico e de sua revisão

Em nossa opinião, a questão do papel do texto acadêmico pode ser abordada de dois diferentes ângulos muito relacionados: do ponto de vista da análise textual e do ponto de vista da análise interpretativa.
Se nós adotamos o primeiro ponto de vista, podemos classificar o trabalho científico entre textos de mídia baseados na forma escrita, mas dos quais o destinatário recebe boa parte na forma oral, isto é, pelas leituras e apresentações que se fazem dos textos. Com efeito, no texto científico, o papel de escrita é muito mais importante que se pode imaginar. No entanto, quando se percebe um trabalho científico como produto acabado, o componente textual, muitas vezes escondido durante a pesquisa, tem atenção imediata.

18 de abril de 2017

Intercessores na revisão de textos

Intercessor é o que ou aquele que intercede – medianeiro (mediador), no sentido literal estrito, o conceito de revisor é perfeitamente assimilável e compatível. O ponto de vista etimológico (latim: intercéssor, óris “o que faz oposição” – o antagonista), é completamente contrário ao conceito que temos de revisor – completo es-vaziamento semântico, paradoxal inversão de sentidos. Curiosamente, no sentido do catecismo católico, intercessores são os que intermedeiam favores; afastada a ideia de favorecimento gratuito, tal noção de intermediação também nos interessa.
Nenhuma obra tem um autor só. Incontáveis Intercessores influenciaram a criação.
Sob diversas óticas, os revisores
de textos podem ser vistos
como Intercessores.
O conceito de Intercessores, do qual haurimos as ideias que apresentaremos, é uma construção de Deleuze[1]  que, com alguma liberdade, aplicamos a nosso objeto. Como ele mesmo argumenta, os conceitos são movimentos que são constituí-dos a partir de encontros e problemas e são eles que forçam o pensamento a pensar. Ainda segundo Deleuze, filosofar é como passear com um saco e, ao encontrar alguma coisa que sirva, pegar: encontramos esse conceito, com muita utilidade nele para nossas reflexões, e estamos nos apropriando dele como nos convém. Os Intercessores de Deleuze, são os mobilizadores do pensamento – e aqui quem nos mobilizou foi ele mesmo – e a partir deles é que se criam problemas e, certamente as soluções ou novos problemas. Sem os Intercessores, segundo essa lógica, o pensamento não age, não inventa, não cria.

17 de abril de 2017

Interpretar e revisar textos

À primeira vista, parecem simples as questões entre a revisão de textos e a interpretação deles, mas há muito a ser pensado nesse trâmite.

Uma comparação das definições de “revisar texto” e “revisão de textos” seria útil; existem algumas diferenças, mas escolhemos “revisar”: parece menos frio, menos reificado que a “revisão”; mas também usamos “revisão”, sem muitos limites.[1]
Esta pequena reflexão e síntese é difícil, porque há uma série de critérios e, portanto, diferentes tipos possíveis de revisão e de interpretação – tanto de interpretação do que é revisão quanto do papel da interpretação na revisão; a reflexão é menos específica que as partes inerentes específicas, a reflexão é inespecífica, no que ela tem de genérico, por óbvio. Vou começar pelos significados que considero como periféricos (embora alguns deles, com a tecnologia, possam bem se tornar centrais, senão hegemônicos).
Sempre há componentes interpretativos no processo de revisão, não há como evitar
Existem componentes de interpretação dos
quais o revisor, mesmo se quiser,
não se dissocia.
Revisar é transformar um texto do estado original, a outro estado, equivalente em termos de objeto – mas aperfeiçoado na forma, fazendo-o pelas interferências de um ou mais agentes que têm papeis existentes, efetivos, contudo, reduzidos ou deslocados da interpretação, configurando:
(i) a transição de um texto original para outro (podendo se tratar de linguagem ou qualquer outra coisa), com significados idênticos (com transformação, tanto quanto requerido, de registro, voz, gênero, finalidade). Vemos que estamos aqui na acepção estrita da expressão, em que o significado de revisor como mero intermediário é muito limitado, ampliando-se na direção da universalidade pela chamada autonomia conceitual. Revisão simultânea e interpretação podem ser concomitantes, sem desvalorização. Aqui a revisão está residindo em um conceito de revisão autopoiética muito específico, como processo. Esse sentido é ligado à revisão com resultado ou consequência encontrados ou desejados processualmente.

16 de abril de 2017

Relações entre discurso e revisão de texto acadêmico

Linearidade, hipertextualidade, intertextualidade, metaforização e fractalidade: relações mútuas entre discurso e revisão de texto acadêmico [i]

Vamos discutir algumas relações recíprocas e parâmetros de linearidade, hipertextualidade, intertextualidade, metaforização e fractalidade, em termos de modelos cognitivos encontrados no discurso acadêmico e na revisão de textos que se lhe aplica.
Para melhor generalizar esses parâmetros: compreendemos modelo cognitivo como estrutura mental multidimensional, multiuso, baseada na representação de fenômeno do universo, representação processada por ação mútua de lóbulos do cérebro durante a percepção e a geração de informações.
A linearidade é o parâmetro físico que permite expressar o desenvolvimento do discurso em tempo cronológico no espaço físico de uma página de texto. Nesse caso, podemos aplicar o termo texto, especialmente quando se trata do preenchimento linear de espaço entre as margens por estruturas lexicais e gramaticais consistentes. Podemos também considerar a linearidade em termos de espaços de textos isolados, incluída em estruturas compostas por vários níveis reais de hipertexto, por exemplo, na internet. Transpõe-se ainda linearidade para vetores isolados do desenvolvimento, fractais – necessariamente atemporais.
Revisar um texto requer compreensão das complexa relações da textualidade.
A linearidade é própria de modelos narrativos nos quais a estrutura seria eventos e ações em consecussão (sic, precisei do neologismo: sucessão consecutiva)[ii], obviamente, atinentes ao quadro de modelos cognitivos que são estruturas abstratas, válidos apenas para estruturas do texto narrativo (desenvolvimento da trama para a conclusão).
Quanto à metáfora, a postulação é de que não podemos atribuir a ela propriedades semânticas já codificadas no texto, pois o sentido metafórico é negociado não por um sujeito cognitivo isolado, idealizado completamente pelo autor e o texto, mas por sujeitos sociocognitivamente situados, que impõem às formas linguísticas certa instabilidade conceitual, bem como interpreta o texto em conformidade com as práticas socioculturais vigentes em sua comunidade. Por isso, para alcançar o espaço do texto-discurso como lugar de manifestação da metaforização, devemos, a metáfora de seu estatuto lexical, de palavra, para o âmbito que vai da sentença ao hipertexto, e confirmar o enunciado como o meio ou contexto em que tem lugar a transposição de sentido.[iii]
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