22 de fevereiro de 2017

Escrita, processamento, formatação e revisão de texto

A revisão de textos produzidos eletronicamente se dedica a refinamentos sofisticados da estrutura do texto.

A introdução de tecnologias já nem tão novas na produção e revisão de textos ainda suscita aspirações, por vezes excessivas, quanto aos incrementos de qualidade que serão aportados com as novidades. Com os métodos audiovisuais para aprendizagem de línguas, computador e editores de textos, multimídia, internet ou correio eletrônico, sempre há desejo de acreditar (ou dizer) que a produção de textos será melhor quando se difundirem as ditas novas tecnologias – ocorre que elas já se difundiram e as pessoas mal distinguem o uso de um editor de textos daquele que faziam da máquina de escrever.
Alguns pesquisadores são promotores da tecnologia (o novo); por exemplo, relata-se ter sido conseguido motivar um aluno para a escrita pelo processamento eletrônico de textos. Outros pesquisadores dizem, mais modestamente, que a introdução de novas tecnologias muda o processo de letramento e textualização, como já mudou o serviço de revisão de textos, mas se abstém de dizer que seja para melhor. Indo mais longe, mas ainda nessa vontade de usar novas tecnologias e dizer que queremos os autores a escrever como experts, nota-se que o computador alterou superficialmente o relatório por escrito e deu ao texto um estatuto diferente: é limpo, legível, bem colocado nas páginas. Mas quanto aos textos científicos ou autorais, dedutivos ou criativos, mudou algo?

30 de novembro de 2016

Revisão de texto e revisão colaborativa a distância

A revisão do texto, campo de pesquisa recentemente retomado entre pesquisadores e especialistas do letramento, tradução, revisores acadêmicos, psico e sociolinguistas, é a atividade de retorno ao texto que ocorre em todas as tarefas e em todas as fases da escrita.

Novas perspectivas de pesquisa e didática de produção de texto em contexto de revisão

O ofício do revisor de textos envolve múltiplos e diferentes conhecimentos, de acordo com a estratégia de revisão usada, requer investimento intelectual aprimorado e elevado custo cognitivo, dependendo da competência do revisor, segundo os contextos da revisão, do destinatário e do tipo de escrita (gênero textual). A revisão visa melhorar a forma e o conteúdo semântico e sintático do texto elaborado durante a atividade de escrita, mas também a qualidade do texto como veículo de comunicação.
É inconcebível a revisão de texto sem uso de ferramentas da informática.
Os recursos da TI mudaram a forma
de leitura e da produção de textos.
Essa concepção cognitiva da revisão se distingue de outras abordagens, de acordo com o campo de pesquisa e os diferentes pontos de vista do revisor ou do pesquisador. As análises dos diferentes pontos de vista, tendo em conta os contextos da revisão, enriquecerão os referenciais teóricos e modelos de modo a torná-los mais operacionalizáveis ou operacionalmente mais eficientes, independentemente do contexto da tarefa, do escritor e do destinatário final do escrito.

23 de agosto de 2016

Três questões linguísticas bem distintas

As inquietações dos linguistas são bem variadas, passam pelo emprego das locuções, pela concordância na voz passiva e pelos valores culturais da língua!

Aqui estão três pequenos textos de Ricardo Alves, nosso colaborador, quando ainda era estagiário conosco. Excelentes contribuições que voltamos a publicar, agora em conjunto. São três motes sempre presentes na atividade de revisão de textos.

O uso problemático de “na medida em que”

Nas revisões de textos, principalmente de teses e de dissertações, notamos com frequência o uso de “na medida em que” como locução conjuntiva, seja no sentido proporcional, no causal ou no condicional. A partir do uso dessa expressão, encontramos dois equívocos que são condenados pela norma culta, a de maior prestígio social: o primeiro diz respeito à forma dessa expressão e o segundo a seu uso com valor causal ou condicional.
O texto tem que permitir a comunicação sem ruídos.
A revisão de textos se ocupa
de aperfeiçoar a comunicação.
Ao pesquisarmos algumas gramáticas, tanto tradicionais, como Cunha (1983), e descritivas, como Bechara (2009), na verdade, encontramos a expressão “à medida que”. Acreditamos que o uso de “na medida em que” decorre de o falante de língua portuguesa reconhecer intuitivamente o “que” como pronome relativo, acrescentando, portanto, a preposição “em”. A esse fenômeno linguístico damos o nome de hipercorreção, uma correção que vai além do que realmente deve ser corrigido no texto. A palavra “que” em “à medida que” é vazia de sentido, não possuindo nenhum valor sintático – ela apenas faz parte de uma expressão já cristalizada.
O outro equívoco cometido por autores em seus textos é o de usar essa expressão com o sentido de causa ou de condição. “À medida que” é uma expressão que possui apenas o valor proporcional, os outros valores a ela atribuídos são condenados pelas gramáticas.

18 de agosto de 2016

Texto como construção complexa

Quanto mais longo o texto, mais complexo ele é; por isso, as teses e dissertações requerem a contribuição do revisor de textos no aperfeiçoamento de sua forma e legibilidade.

Do ponto de vista cognitivo, escrever é atividade humana de grande complexidade, mais que jogar xadrez. Revisar o texto também é atividade composta por uma série de procedimentos terrivelmente complexos, bem mais que dar palpite na partida de xadrez dos outros! Pesquisadores de diferentes áreas – principalmente psicolinguística – estão interessados nos subprocessos da textualização (produção escrita com textualidade). Antes de mostrar o que propicia a textualização e a possibilidade de contribuição do revisor na construção de textos longos (as teses e dissertações estão dentre os textos mais complexos), vamos apresentar os níveis de organização do texto, depois expor a teoria de recursos, teoria para entender certas dificuldades com a escrita, inclusive as presentes em estudantes de pós-graduação.
Autor e revisor de textos são parceiros cognitivos da redação.
O papel do revisor de textos também
passa por aliviar o coeficiente de
cognição linguística para o autor.

Textualizar é gerenciar simultaneamente um número incrível de dados

A maioria dos autores considera que a escrita é para colocar no papel (ou na tela) ideias existentes – assim, de modo mesmo bem simples. A maioria dos autores, em todo caso, não considera nada sobre a escrita: têm-na como um processo mecânico mais ou menos bem aprendido. Cumpre aos autores, segundo muitos deles próprios, escrever – bem ou mal – o que devem e, ex post facto, cumprirá ao revisor as emendas de praxe. Na verdade, não é bem assim, o processo da escrita é complexo e demanda elementos de cognição e memória que se refletem sobre as mais diversas características do texto. O estudo dos esboços dos autores nos mostra que o texto é uma construção, cada rascunho é um construendo, a “versão final” é a parte sobrenadante que cobre as versões anteriores.
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