21 de maio de 2012

Noplaceness - livro em que colaboramos

An incisive look at artists whose work reveals the changing perceptions of place and space in the era of globalization. Noplaceness features writing examining the work of over 30 artists in historical and critical contexts, including Scott Belville, Sarah Emerson, Ruth Laxson, Beth Lilly, Ann-Marie Manker, The Paper Twins, Fahamu Pecou, Sheila Pree Bright, Rocío Rodríguez, Angela West, and K. Tauches. Noplaceness is the 2011 edition of Atlanta Art Now, a biennial book series by Possible Futures, Inc.

"O mito é uma forma diferente de nenhumlugar, que transforma um lugar que se encontrava realmente numa área que nunca foi e nunca poderia ser. “E o Vento Levou” de Margaret Mitchell é um desses casos. A popularidade global da história tem atraído milhares de turistas literários a Atlanta, em busca de Tara, o local da plantação majestosa central do livro. Não encontrado o tal lugar, os visitantes decidem ir para áreas mais eruditas da Margaret Mitchell House [casa museu], onde ela escreveu a maior parte do romance. Lá eles invariavelmente encontram um contexto da Idade do Jazz de Mitchell muito mais complexo que o cenário do século XIX, que o romance possa sugerir.
O relacionamento falso do mito com o passado é o companheiro e complemento do relacionamento falso com futuro, que constitui a forma mais comercial do nenhumlugar. Ambos negam a realidade do presente tornando-a invisível." [Fragmento da obra.]
O livro bode ser obtido na Amazon.com
Edição trilíngue: inglês, português e mandarim.


21 de abril de 2012

Revisão de textos - teoria e prática

Revisão de textos – teoria e prática – é a contribuição que trago aos colegas revisores, tanto aos já experientes quando os que estejam em formação. Partilho aqui a experiência de mais de dez anos revisando, estudando, publicando e aprendendo sobre o assunto.
Novo livro lançado!
Revisão de textos
teoria e prática
A revisão profissional de textos é atividade em expansão, principalmente em função do aumento na produção de textos. Porém, o revisor segue sendo improvisado, um profissional sem critério estabelecido de formação, sem mesmo bibliografia consolidada que o subsidie no ofício. Revisores têm sido formados revisando, foi assim que me formei. Mas uma nova geração de revisores já desponta, com os diversos cursos, novos e incipientes, que têm tentado formar para a revisão. Esse pessoal que ingressa no mercado do texto precisa da lição e da experiência de quem já está no ramo e tem muito a nos oferecer, por isso ofereço a todos esse livro, cuja proposta é a partilha da experiência adquirida, trata-se de obra estritamente sobre a revisão, com sugestões, discussões teóricas, relato de situações, um pouco da cultura e do folclore em torno dessa atividade profissional.
Compre na AG-Book
Compre na Amazon
O livro: Uma PRIMEIRA PARTE, explicando ao que vem a obra. CONCEITOS GERAIS, parte teórica e conceitual da revisão de textos. O capítulo RELAÇÃO COM O CLIENTE trata das relações profissionais entre autor e revisor – essa cooperação de amores e ódios. Em LINGUÍSTICA E REVISÃO discuto e apresento algumas decorrências dos estudos linguísticos para a prática da revisão. PRÁTICAS DO OFÍCIO partilha algo de tudo que tenho experimentado. Depois, PROBLEMAS DO OFÍCIO DE REVISOR, afinal, este é um livro de profissional para profissional. Em seguida, FORMATAÇÃO E PREPARAÇÃO DE TEXTOS. Depois algumas HISTÓRIAS E FOLCLORE DA REVISÃO, em que tentei fugir do óbvio. Uma pequena ANTOLOGIA, CRESTOMATIA, FLORILÉGIO de ideias alheias. A ÚLTIMA PARTE é um título coerente com o da abertura e assim ficará parecendo que o trabalho fica arrematado. Mas não fica não. Nem é o caso de, como pretendem alguns autores, dizer que serão conclusões parciais ou conhecimento provisório. Depois de tudo, ainda há um GLOSSÁRIO, monte de conceitos e palavras dos ramos da revisão.
O livro já está disponível em formato impresso e e-book na AG-Book e na Amazon, para Kindle; obtenha o seu.

10 de abril de 2012

Linguística e revisão de textos: pragmática e filologia

A pragmática é a parte prática da linguística, dizendo de uma forma simplificada, pois ela se remete aos aspectos comunicacionais do texto. Como o texto é produzido para ser veículo de informações, dados, reflexões ou entretenimento, a pragmática considera a qualidade com que o texto está se prestando a seu fim. Revisão de texto também tem tudo a ver com comunicação.
Sugiro a quem nunca contratou um revisor
passear um pouco pelo blog para entender
o quanto a revisão pode ser complexa.

Pragmática e revisão de textos
A pragmática está, portanto, ligada a atividade fim do texto. A revisão, sob esse ponto de vista, é um processo meio para se alcançar tal fim. A pragmática inclui o conhecimento da dimensão comunicacional mais filosófica, como prática social concreta, ela analisa a significação linguística de acordo com a interação existente entre autor e leitor, no contexto do texto, considerando os elementos socioculturais em questão e os objetivos, efeitos e consequências desse processo comunicacional.
Cabe ao revisor zelar, inclusive pela coerência pragmática, por exemplo, um personagem não pode ordenar e pedir, simultaneamente, em um romance, ou duas hipóteses não podem ser paradoxais em uma tese. 
 Filologia e revisão de textos
A filologia é atualmente mais referida como linguística histórica; a rigor, há alguma distinção entre as duas coisas, mas não precisamos aqui estabelecer essa diferença, consideremos que ela é o estudo das linguagens na história e suas transformações. Também a filologia talvez seja a parte da linguística que menos afeta a revisão de textos, em sentido pontual, e a que mais afeta globalmente, pois quase todas as questões linguísticas têm raízes históricas são importantes para seu deslinde. Afinal, a filologia descreve o estudo de uma língua com a sua literatura e os contextos históricos e culturais que são indispensáveis para uma compreensão das obras literárias e de outros textos culturalmente significativos. Naturalmente, isso afeta o conhecimento linguístico que antecede a revisão e constitui o arcabouço, a bagagem de erudição imprescindível ao processo de revisão, mas não fornece diretamente instrumentos operacionais.
A filologia trabalha com várias abordagens, a retórica, a poética, a gramática, a linguística em cada uma de suas vertentes, ainda a prosódia, a métrica, e mesmo a teoria e história e da literatura. A filologia continua sendo área do conhecimento fundamental para aquele que trabalha com a revisão: ela é sinônimo de rigor no trato com os textos e de pensamento pautado pela questão histórica.
De certo modo, após um longo domínio de abordagens sociolinguísticas e históricas nos estudos literários, a análise interpretativa fica agora mais a cargo das abordagens críticas da teoria literária. Hoje o filólogo é o responsável pela preparação de edições críticas de autores clássicos (antigos e modernos): um trabalho árduo e essencial para todas as ciências humanas, e que carece de importante contribuição de revisores altamente especializados.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística, pragmática e filologia.

2 de abril de 2012

O princípio da concisão textual

Na maioria dos textos, a concisão é bem mais qualidade que característica; no texto oficial, no comercial e no acadêmico, quase sempre a concisão é meta e requisito essencial. Cumpre ao revisor de textos, supletivamente ao autor, zelar pelo princípio da concisão textual.
Concisão textual não significa
comprimir as ideias, mas
dar a elas o tamanho adequado.
 
Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras, evitando tergiversação, juízos de valor, ambiguidade e todo tipo de imprecisão. Para que o texto tenha essa qualidade, é fundamental o conhecimento do assunto por parte do autor e a tesoura impiedosa do revisor podando tudo aquilo que sobra. Cabe à revisão perceber as eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias, os pleonasmos, as superfluidades e as ocorrências de registros tipicamente orais no texto e suprimir tudo isso.
Algumas construções a se evitarem em obediência ao princípio da concisão:
  • Flexão do infinitivo da oração subordinada cujo sujeito é o mesmo da principal anteposta.
  • Abusos de pronomes e artigos, principalmente os indefinidos.
  • Uso de artigos antes de pronome pessoal ou possessivo.
  • Pleonasmos de etimologia remota.
  • Uso de bordões, expressões em voga, preciosismos. 
  • Colocar a palavra página ou suas reduções junto ao número que ordena as folhas.
  • A palavra número ou suas reduções junto a algarismos - Lei (número) 4.321.
  • Da mesma forma, a palavra capítulo, sobra junto ao número e título capitulares.
  • Uso das palavras Referências Bibliográficas. O termo indicado em todos os textos de todas as normas para confecção de trabalhos acadêmicos é Referências.
Foram alguns exemplos, mas há bem mais simplificações possíveis e recorrentes. Cada revisor faça uma lista das que lhe ocorrerem.
Vocês provavelmente nunca viram um texto do séc XIX, ou anterior, uma ata, depoimento, contrato, iniciando-se assim: “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de um mil oitocentos e [tanto]... aos vinte e um dias do mês de março do mesmo ano”... É contra delongas desse tipo que se instaurou o princípio da concisão.
Não tem cabimento me alongar em um tópico sobre concisão.

27 de março de 2012

Dia do revisor de textos: 28 de março

Imagine como seria ler um livro ou um jornal com vários erros ortográficos ou sem qualquer tipo de regra gramatical observada. Certamente, não seria de fácil entendimento e comprometeria a qualidade da leitura e da informação transmitida.
Quem revisa a tese ou o livro
quase nunca aparece.
 Pois então, comemore conosco, no dia 28 de março, o Dia do Revisor, o profissional que lida com a edição de textos e que é preparado para corrigir desvios de sintaxe, ortografia, pontuação, enfim, o que deve ser ajustado aos padrões gramaticais.
 Se antigamente os revisores já eram ilustres desconhecidos, imagine agora que o trabalho a distância os esconde em sua casa ou em qualquer computador, bem longe da redação ou editoria. Mas imagine também como a falta desse profissional seria sentida em tudo que você. Pois então, o revisor de textos é o profissional da modéstia, alguém que não se importa em ficar à sobra para dar mais destaque ao texto e seu autor.

Linguística e revisão de textos: terminologia e estilística

A terminologia, no sentido que mais interessa à revisão de textos, dedica-se ao conhecimento e análise dos vocabulários especializados das artes e ofícios, ao objeto ou campo de conhecimento do texto em foco. Em sentido amplo, refere-se ao uso e estudo de termos, especificando as palavras que são geralmente usadas em contextos específicos.
O revisor de textos é o leitor cuja preocupação
principal é o leitor seguinte.
Terminologia e revisão de textos
Terminologia também se refere a uma disciplina mais formal, ligada à formação de corpus, dedicada ao estudo sistematizado, rotulação e designação de conceitos específicos a um ou vários assuntos ou campos de atividade humana, por meio de pesquisa e análise dos termos em contexto, com a finalidade de documentar e promover seu uso correto. Este estudo pode ser limitado a uma língua, ou a uma região geográfica, ou a um período ou autor; todos os cortes podem ser feitos, ou pode cobrir mais de uma língua ao mesmo tempo (terminologia multilíngue, bilíngue, trilíngue etc), havendo ainda a possibilidade de estudos de terminologia comparada, entre autores, regiões, épocas.
Na revisão, a gestão da terminologia é elemento central de boa legibilidade e uniformidade dos textos revisados. Os revisores profissionais podem administrar a terminologia na forma de glossários, usando ferramentas de controle de qualidade que fazem com que o mesmo termo técnico seja aplicado uniformemente em todo o texto. Também pode ser útil fazer a verificação longitudinal específica da aplicação de determinados termos, por meio de ferramentas de localização.

Estilística e revisão de textos
Há dois enfoques de estilística cujos cruzamentos interessam à revisão; o primeiro refere-se às variações linguísticas, diferentes registros, aplicações e contextos, incluindo a apreciação estética sobre o produto; o segundo, mais gramatical, considera o emprego tropos no texto, figuras de sintaxe, palavras ou pensamento.
Caberá ao revisor, dentre outros procedimentos, conhecer os tropos, identificá-los e julgar sua pertinência quanto ao tipo do texto em pauta; é comum aos autores desvios de recursos linguísticos cabíveis em um tipo de texto para outro em que eles se tornam completamente inadequados. A questão de não haver exatamente certos e errados se torna mais restrita, por algo pode não ser exatamente errado ali, mas ser completamente errado lá. Muitas vezes os autores não têm exatamente a noção dessa propriedade, outras vezes fazem uso consciente do abuso cometido – e isso também deve ser identificado e, nesse caso, respeitado, mantida a violação desejada pelo autor. Todas essas variações e combinações de elementos externos e internos do texto, seu objeto e sua finalidade, é o que chamamos contexto – uma palavra perigosa, pois bastante desgastada e algo esvaziada.
A determinação do registro, necessária à contextualização, parte da variedade (espécie da variação) linguística e alcança a situação do texto, sua finalidade ou seu público. Geralmente, o registro é facilmente reconhecível, mas cabe ao revisor ter ampla consciência dele e fazer dessa consciência parâmetro das interferências que serão feitas. Caberão as adequações de “campo”, “conteúdo” e “modo” correspondentes à estrutura semiótica do texto, preservadas as idiossincrasias autorais.
Cabe ainda apontar, como parte da estilística, o conhecimento dos vícios de linguagem, os bordões e os modismos. Os gramáticos abordam invariavelmente essas questões, uns com maior rigor, outros mais permissivos; também os manuais de redação, tanto os jornalísticos quanto os governamentais e acadêmicos, trazem amplas lista de expressões a serem evitadas, nos respectivos contextos, mas observem que cada manual daqueles é específico àquele tipo de texto, caberá sempre um juízo subjetivo, principalmente quando se tratar de texto criativo ou de manifestação opinativa.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística, pragmática e filologia.
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