8 de fevereiro de 2012

Revisar as ilustrações da tese ou dissertação


A elaboração de gráficos e a apresentação de dados de forma compreensível requerem grande atenção com detalhes e tolerância zero com defeitos. Para isso, um princípio-chave precisa ser observado: o de controle de qualidade total com a colaboração do revisor de textos. Os padrões acerca do que seja uma boa apresentação em trabalhos acadêmicos não são estáticos, tendendo a aumentar com o tempo em função de aprimoramentos nas tecnologias da informação e nas práticas adotadas por outras modalidades de processamento de textos e dados.
Toda ilustração tem um propósito, uma legenda e seu
lugar certo na tese, dissertação ou artigo.

Não convém supor que leitores e examinadores ocupados lerão trabalhos complexos como se fossem romances, começando na primeira página e paulatinamente avançando até a última. Ao invés disso, esses leitores tendem a optar por um processo de leitura com múltiplas etapas, quais sejam:
  1. folhear o texto, para adquirir uma ideia geral;
  2. selecionar o que deve ser lido cuidadosamente;
  3. ler com atenção os tópicos selecionados.


Para que os trabalhos acadêmicos atinjam os seus objetivos, deve-se atentar para o ponto de vista dos leitores, procurando-se tornar texto tão útil e acessível quanto possível. Para que a impressão inicial seja favorável, é importante que o texto esteja bem estruturado, com resumos claros e ilustrações bem projetadas.
As ilustrações podem ser fundamentais para a efetiva comunicação da mensagem contida no relatório, mostrando que suas conclusões estão baseadas em evidências cabais e em análises cuidadosas. Com isso, pretende-se tanto persuadir aqueles que folhearem o texto a lê-lo mais atentamente, como fazer com que o público em geral veja o trabalho como um estudo sério.
O emprego do critério “o que os leitores precisam saber” implica perguntar quais evidências farão com que os leitores aceitem as conclusões apresentadas. Em seguida, procura-se satisfazer essa exigência por meio das principais ilustrações do trabalho.
Levar em consideração o ponto de vista do leitor não significa que ilustrações devam ser incluídas apenas para agradá-lo. De modo geral, leitores especializados serão bastante críticos se confrontados com gráficos ou tabelas aparentemente irrelevantes. A inclusão de uma ilustração em um relatório gera, naturalmente, uma expectativa de que a informação retratada ou sintetizada é importante e merecedora de ser realçada. Dessa forma, os leitores tendem a ficar desapontados se a ilustração mostrar-se impertinente ou com uma mensagem obscura, contiver dados comuns ou rotineiros, ou, ainda, parecer irrelevante ou interpretada de uma maneira não convincente. Administrar de forma efetiva as expectativas dos leitores implica incluir apenas ilustrações que representam partes essenciais e significativas do argumento central do relatório.
Por tudo isso, tanto o autor quanto o revisor estão sempre atentos às ilustrações. Não convém assumir que as tabelas ou gráficos estão corretos, devendo-se, pelo contrário, conferi-los cuidadosamente em cada fase de elaboração do trabalho, podendo a equipe de revisão seguir a seguinte sugestão de roteiro de verificação:
  1. As ilustrações realçam elementos fundamentais do argumento de forma apropriada?
  2. Os argumentos do texto principal foram alterados, as ilustrações sofreram as alterações correspondentes?
  3. As ilustrações podem ser compreendidas por meio de uma leitura diagonal? Os títulos, cabeçalhos e notas explicativas fornecem suficiente informação sobre o que é mostrado?
  4. Se seções diferentes do texto são elaboradas por dois ou mais momentos, as ilustrações são mutuamente consistentes?
  5. As ilustrações foram examinadas criticamente em cada fase redação (i.e., finalização do trabalho de formatação; ou antes da aprovação do orientador)

Adaptado de TCU.

Leia também: Instruções aos autoresPara publicar seu texto - O princípio da consistência

Revisão de texto visando coerência

A coerência não apenas um dos critérios de textualidade entre os demais e muito menos centrado no texto. Coerência é o resultado da confluência de todos os demais fatores, aliados a mecanismos e processos de ordem cognitiva, como o conhecimento enciclopédico, o conhecimento compartilhado, o conhecimento procedural. A coerência resulta da construção de sentidos pelos sujeitos a partir do texto (e não somente no texto), para a qual estariam contribuindo, além dos outros critérios, os seguintes elementos: fatores de contextualização, consistência e relevância, focalização e conhecimento compartilhado.
 
Coerência textual existe quando todas as ideias se encaixam.
A intenção, quando se enuncia, é que o texto seja compreendido por qualquer leitor. Para isso é necessário ser claro e preciso, o quanto possível. No entanto, visto que a linguagem é intrinsecamente ideológica, opaca, subjetiva, não é neutra ou imparcial, essa é uma tarefa difícil.



“Um texto coerente é um conjunto harmônio, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais.” FIORIN
Adaptado de Dourado, 2008.
Desta maneira, temos que uma sequência de textos ou de frases, para ser coerente, deve ter consistência e interligação semântica entre os conceitos e ideias expostas. Cada parte deve estar vinculada a outra parte semântica e discursivamente, de modo a convergirem todas para uma mesma conclusão. É por meio disso que o leitor compreenderá o texto: ligando ideias, fatos, lugares e conhecimentos preexistentes.
Existem várias fontes da coerência de um texto, dentre elas a adequação do texto a sua macroestrutura, que pode ser de texto argumentativo ou texto narrativo. No caso da macroestrutura do texto argumentativo as partes mais importantes são: tema e problema. As outras partes da macroestrutura do texto argumentativo compreendem a hipótese, a tese e a argumentação. Na verdade, essas são as possíveis respostas para a solução de dado problema, que, bem fundamentadas, propiciam ao texto um grau de coerência bastante grande. Isso se dá no texto argumentativo, quando a macroestrutura do texto narrativo parece bastante simples e dificilmente não é coesa. Trata-se de um relato em ordem cronológica, pois o que se aprende se habitua a fazer desde criança. Alguns exemplos desse tipo de texto no mundo adulto são: redação de ata, de um relatório ou uma experiência científica. Mesmo pessoas pouco escolarizadas, de um modo ou de outro, acabam conseguindo fazer coerentemente um relato de algo ou uma ata de reunião.
A coerência também depende do momento e da situação do texto. Por isso, mesmo que um determinado texto, para ser coerente para alguns ouvintes, pode não ser para outros.
Há casos também em que, numa determinada situação, para um mesmo leitor, o texto inicialmente não é entendido como coerente, mas se torna coerente depois, com acréscimos de novas informações e dados feitos pelo revisor. No caso da taquigrafia, por exemplo, que registra pequenos trechos, muitas vezes parece não fazer sentido o que se está dizendo. Quem tem a visão geral do texto é o revisor, cabendo a ele dar-lhe a desejada coerência, se isso não tiver sido feito pelo autor. É ele que deve buscar compreender o dito, considerando suas características discursivas – que são ideológicas e situacionais, para, só depois, fazer a revisão de modo adequado em relação às pretensões do autor. Também pode ocorrer a falta de coerência, quando o autor é muito prolixo e não conclui as ideias lançadas inicialmente. Essa é outra situação em que deve atuar com cautela o revisor. Se o autor é prolixo, até que ponto o revisor deve interferir? Ele, simplesmente, deve reduzir o texto do parlamentar em nome da pretensa objetividade ou deve deixar que texto preserve a originalidade? Essas são perguntas que um revisor deve se fazer em tais circunstâncias.

Leia também: A atividade do revisor de textos - O discurso acadêmico científico - Recomendações dos orientadores

7 de fevereiro de 2012

Revisor de textos e novas tecnologias

Na perspectiva tradicional, a revisão é vista como etapa subsequente à produção escrita, principalmente de alunos e cientistas, com o objetivo principal de corrigir o texto e detectar violações nas convenções da norma culta, pautada no senso comum de que revisar resume-se a corrigir ortografia, pontuação, concordância verbal e nominal, de acordo com as normas apontadas em gramáticas, dicionários e manuais.
  Texto adaptado de Oliveira & Macedo. 
Sempre peça socorro para o texto ao revisor de textos.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas, por exemplo, na NBR 6025, indica dois tipos de revisão: a de originais e a de provas. Na revisão de originais (ou “copidesque”), faz-se a “normalização ortográfica, gramatical, literária e de padrões institucionais, aplicando-se as técnicas editoriais e marcações para uniformizar o texto como um todo”; na revisão de provas, “também chamada de revisão de cotejo ou conferência”, assinala-se com símbolos e sinais convencionados aquilo que difere do original.
Na arte de revisar, as normas gramaticais são insatisfatórias, apesar de precisarem ser levadas em consideração, porque deixam lacunas em relação aos aspectos da ordem do discurso, os quais precisam muitas vezes da mediação do revisor para mostrar os problemas ao autor, pois este muitas vezes está tão familiarizado com seu texto que não observa certos problemas discursivos. Isso não significa dizer, entretanto, que o revisor deve interferir nos pontos de vista ou no projeto de dizer dos autores, mas que pode ajudá-los a dar acabamento ao texto, considerando a posição deles diante do dito.
Os softwares fornecem ferramentas e programas de revisão que detectam problemas linguísticos e sugerem soluções, daí o profissional necessitar reconhecê-los como apoio para o seu trabalho e saber utilizá-los como mais um instrumento de mediação. Entretanto, mesmo uma ferramenta sofisticada como o computador não pode substituir o trabalho humano na área de revisão, por não ser capaz de analisar as relações discursivas construídas em um texto, já que se limita a determinados aspectos da correção ortográfica e de concordância e regência verbal, não podendo o trabalho do revisor ser substituído pela máquina, uma vez que tal atividade implica também analisar escolhas estilísticas do autor, aspecto que foge às possibilidades do computador.
A atividade de revisão é tarefa complexa que pressupõe o conhecimento da língua e de práticas socioverbais em diversas esferas da vida humana, considerando-se as transformações pelas quais passam a sociedade e as linguagens no mundo contemporâneo. Mundo que exige uma redefinição qualitativa do papel do revisor, não podendo esse profissional se restringir aos mesmos procedimentos e concepções de revisão de épocas anteriores. 

Há necessidade de o revisor estar sempre atento às transformações e adequações por que passam seu material de trabalho: o texto, que pode se apresentar em diversos gêneros, linguagens e suportes. Sendo os últimos o papel ou as novas tecnologias eletrônicas, o profissional geralmente tem às mãos e aos olhos uma produção elaborada por diferentes pessoas e instituições, de diversas áreas de atuação, daí a necessidade de o revisor estar sintonizado com as peculiaridades e singularidades dos diversos gêneros discursivos que circulam nas diferentes esferas das atividades humanas, muitas vezes transmutando-se, intercalando-se, ajustando-se, de acordo com suas necessidades, em especial os gêneros secundários, como romances, contos, artigos e relatórios científicos, que são gêneros complexos e requerem mais atenção do revisor em relação ao conteúdo temático, construção composicional e escolhas lexicais e estilísticas utilizadas pelo autor, que carregam suas peculiaridades de acordo com as áreas de conhecimento.
Considerando isso, a atividade de revisão vai além da correção das normas gramaticais, uma vez que os profissionais atentariam também para as condições concretas de produção, recepção e circulação do texto. Esses aspectos da ordem do discurso estão relacionados aos posicionamentos e visões de mundo do autor e sua imagem de destinatário, que só podem ser considerados se se olhar o texto primeiramente em uma situação concreta de interação, sempre permeada pelas posições axiológicas em diversos graus de convergências e divergências, levando em consideração quem escreve, o quê, e para quem, o que remete à questão de alteridade e de alternância de sujeitos; de que lugar escreve, o que remete à questão de esfera/área/atividade; como escreve, o que remete à questão de gênero discursivo e seu enquadramento ou transformação.
Por conseguinte, para o trabalho de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema para corrigirem os lapsos gramaticais no texto; é preciso que eles adotem uma atitude compreensiva em relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo do texto. Além disso, reafirmamos o uso das novas tecnologias como ferramentas que, se bem utilizadas, auxiliam o profissional aberto às inovações.

Agora leia outros tópicos: Instruções aos autores - Relatórios de boa qualidade - Conjunção: uso e abuso

Revisores de textos: os vigilantes da língua

Revisores de texto percorrem as frases e as palavras com um olhar clínico, em busca de falhas gramaticais, defeitos de sintaxe ou erros ortográficos, as «gralhas», como lhes chamam na gíria, de forma a garantir a correção e o rigor exigidos pelas regras gramaticais adotadas na no meio acadêmico, bem como o respeito pela língua portuguesa. São incapazes de ler o jornal ou as legendas de um filme sem que as ditas «gralhas» lhes saltem à vista. Não é um defeito, talvez seja feitio profissional. Esses profissionais são os revisores de textos e são eles quem prepara, corrige e verifica os textos que se destinam a publicação, em suporte físico ou eletrônico, e que fazem parte de um diversificado leque de trabalhos que pode ir desde a obra literária até teses e dissertações, cada um com as suas particularidades e exigências.
Revisores de textos hoje trabalham com novos
recursos, mas o ofício é o mesmo de sempre.
Texto adaptado de Matriz12.
É, sem dúvida, um trabalho de grande responsabilidade e em que, nomeadamente no caso dos trabalhos acadêmicos, por se lidar com textos que representam anos de investimento e trabalho de seus autores, uma pequena desatenção pode ter consequências graves ou originar dificuldades na hora da avaliação, defesa ou publicação – inclusive alguns constrangimentos.
Atualmente, a existência de corretores automáticos, nomeadamente em programas de tratamento de texto, tem ameaçado a profissão e, de certa maneira, tem suscitado a ideia de que o trabalho do revisor não é assim tão essencial. No entanto, essa ideia está muito longe da realidade e as empresas e instituições de ensino mais exigentes no que respeita à edição ou publicação de textos, como é o caso das universidades, não prescindem do trabalho destes profissionais que, com alguma frequência, detectam lapsos ou discrepâncias que os próprios autores dos textos não detectam em sucessivas leituras.
O trabalho do revisor pode passar por diversas fases: a marcação técnica, durante a qual o revisor lê o documento original e inclui diversas indicações de teor gráfico e linguístico de forma a preparar o trabalho para a fotocomposição, a leitura das provas, onde o texto composto é lido e comparado com o original, a contraprova, em que se verifica se as emendas decorrentes da leitura foram corretamente introduzidas, e a verificação da paginação, fase onde os documentos, depois de paginados, são novamente conferidos.
A simples colocação de uma vírgula, algo aparentemente pouco importante para a maioria das pessoas, pode dar azo a acesos debates e algumas angústias no meio de revisores.

Agora leia aqui mesmo: A formação do revisor de texto - Principais serviços prestados por nós - Orçamento para revisão de texto

Revisão de textos: conceitos e perspectivas

Chamaremos  revisão de textos toda reconsideração de um primeiro texto, incluindo tanto os comentários, opiniões e  críticas de autores e leitores como as alterações efetivas realizadas no escrito. Denominaremos reescritas a estas alterações efetivas.
Revisão de textos exige domínio de amplo vocabulário.
Na perspectiva histórica, o papel do revisor pode ser definido de diversas maneiras. Não temos dados sobre como os copistas corrigiam seus próprios escritos, temos apenas as marcas de correções que eles deixaram em seus manuscritos. Por outro lado, sabemos como corrigem os profissionais da revisão contemporâneos (os revisores).
Também se entende a revisão como uma releitura ou leitura do escrito, não necessariamente uma emenda, mas uma tarefa de interpretação; tarefa essencialmente ativa encarada pelo profissional de revisão a partir de um campo de saber previamente constituído não somente por normas e leis, mas por uma concepção mais ampla e pelo que denomina um “certo recinto semiótico” composto por diversas direções.
É esta a ideia de revisor que vamos trabalhar: a do profissional que se melhora o trabalho de terceiros. Alguém que faz muitas vezes leitura e releitura “com a mente e com os olhos”, prestando atenção tanto naquilo que está carregado de sentido como o que não está e, ao mesmo tempo, esforçando-se por tomar distância do sentido que teve intenção de gerar para olhá-lo com olhos de outros.
A crítica textual defende que, na elaboração de um discurso (ainda no caso de reconhecidos e universais escritores de literatura), é fundamental a função ativa do produtor. Tanto um texto jurídico como um texto publicitário exigem semanas de trabalho, retiradas, adições, reestruturações, reescritas. Este processo que, a partir da perspectiva do autor pretende ser qualitativo, pode, não obstante, produzir versões de qualidade decrescente, mas os rastros que vão sendo deixados dão conta da progressão de um “discurso comum” até “um discurso ótimo”, a partir da perspectiva do autor. É esta perspectiva do revisor sobre “o que é melhor” a que se tenta desvelar, sem emitir juízo prévio sobre uma qualidade “ideal”.
Sozinho ou interagindo com os outros, o revisor do manuscrito se vê diante de uma avaliação do texto, e deve tomar decisões sobre afirmar, explicar, demonstrar, declarar. E sobre os estados mentais que supõe comunicar, tais como crenças, deduções, conjecturas, suposições e conclusões. Ao escrever ou revisar, é inevitável tomar decisões sobre a estrutura linguística – com conhecimento ou não da metalinguagem oral, por exemplo, ao marcar parágrafos ou orações, ao narrar, enumerar ou descrever. Mas, além do ato em si mesmo, existe uma metalinguagem oral para referir-se ao conteúdo do texto. Por exemplo, se é verídico, se é lógico, se é conveniente. Estas considerações são pertinentes na formação de determinados tipos de textos e são fundamentais para que se considere o conhecimento culto ou educado. Daí o interesse na revisão, já que não somente constitui uma prática, mas também um meio de pensar a linguagem.
Fragmentos adaptados de Nova Escola.

Leia agora outras postagens: Revisão textual ou revisão de textos? - A vírgula e os dispositivos da lei - Plágio e fraude acadêmica

O revisor de texto no jornal

Com o fim da função do revisor, passou-se a analisar o jornal após sua publicação. Essa “revisão tardia” acabou por prejudicar os leitores, que não só encontram erros que poderiam ter sido evitados, mas que podem, muitas vezes, tomá-los como certos. A partir dos anos 1980, a imprensa adotou a rentabilidade como objetivo central.
O revisor de textos é alguém que desenvolve a atenção
como característica profissional básica.
A informatização das redações foi, ao mesmo tempo, resultado da nova demanda social e a forma mais eficiente encontrada pelas empresas jornalísticas para diminuir seus gastos. Os jornalistas que restaram tiveram de adotar uma nova postura e desempenhar papéis que antes eram encargos de outros profissionais. Deles passaram a ser exigidas aptidões características dessa nova sociedade.
Pode-se considerar a implantação de tecnologia um dos principais pilares da transformação da imprensa. Além de exigir maior versatilidade dos profissionais, o processo de informatização das redações levou ao chamado desemprego tecnológico. O revisor foi descartado pelos grandes jornais e substituído por terminais de vídeo. Todavia, o corte profuso de pessoal em busca de lucro é questionável. Estamos vivendo em uma era em que o jornalista torna-se fundamental para a “seleção em meio ao vasto caudal de informações” e para a “explicação [dos fatos], imposta pela natureza técnica da informação”.
Levando-se em conta que os leitores de jornais esperam encontrar matérias bem redigidas, que a carência de tempo resulta em perda de qualidade e que a disseminação de computadores nas redações não supre a deficiência dos profissionais de mídia no domínio da língua, a melhor maneira de se ganhar dinheiro, a longo prazo, seria o investimento na capacitação do profissional, e não seu desestímulo. Portanto, na atual sociedade, em que as pessoas se tornam ávidas por informações, o produto que as oferecer de maneira mais clara, detalhada, correta, será mais respeitado e consumido. Daí a importância de haver, nas empresas jornalísticas, pessoas responsáveis pelo bom acabamento das matérias: os revisores.
A revisão pode, mesmo hoje, ser considerada elemento importante para a produção de jornais. A falta de tempo reflete diretamente na qualidade dos textos, e o repórter se vê espremido “entre a busca da notícia, a vontade de fazer bem-feito e a pressão do fechamento” Hoje, com o advento e introdução dos computadores, os jornais aboliram a revisão, deixando esta função e responsabilidade sob a incumbência do próprio repórter – que, apesar de redigir a matéria jornalística, não possui, na maioria das vezes, nem conhecimento nem treinamento específico ou vocação para a detectação de erros.
Antes da informatização das redações, o revisor era visto como elemento de grande importância. Era dele a responsabilidade pelos erros publicados e pela uniformização dos textos de um veículo. Chaparro (2005) lembra que “o famoso copidesque cuidava do acabamento dos textos, garantindo-lhes, acima de tudo, correção gramatical”. Segundo ele, antigamente, propagava-se a ideia de que o “repórter não precisa saber escrever; basta que traga boas notícias. Do texto, o copidesque daria conta”.
A presença de revisores nas redações colaboraria para que essas medidas fossem seguidas à risca, facilitando o entendimento das matérias. Para tanto, é preciso que os proprietários de jornais tenham consciência de que trabalham com a informação – um dos bens mais importantes da atual sociedade – sob a forma verbal, e que a precisão e qualidade desta estão íntima e indissociavelmente ligadas ao correto e respeitoso uso da língua. Algo essencial em uma sociedade integrada pela comunicação e pelas tecnologias da informação. Na época em que a função do revisor foi eliminada, a figura do redator torna-se bastante importante. Porém, apesar de ter assumido novas responsabilidades na tentativa de suprir a falta de cargos extintos, a presença desse profissional ainda pode ser considerada insuficiente.
Leia outras postagens:  Princípios funcionalistas da revisão de textos - A revisão de textos profissional - Revisão de textos e "diálogo" com o autor 

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A necessidade de revisão:

Todo trabalho escrito, uma vez concluído, deve ser submetido a um revisor que não tenha interferido em nenhuma etapa de sua produção.

O autor, devido a sua familiaridade com o assunto e proximidade ao texto, quase sempre comete lapsos e equívocos que ele próprio não identifica em sucessivas leituras de seu trabalho.

Mesmo os orientadores acadêmicos formalmente responsáveis pelo acompanhamento da produção, pelos mesmos motivos anteriores, estão sujeitos a tais enganos e lapsos. É necessário que as revisões sejam feitas por profissionais experientes, compromissados com prazos e munidos dos recursos mais modernos da informática no apoio à revisão.

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A Keimelion possui vasta experiência nos trabalhos que executa, já havendo prestado serviços a prestigiosas instituições, como o Instituto René Rachou, Fundação de Desenvolvimento de Pesquisa (FUNDEP) e o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Educativa de Rádio e TV de Ouro Preto (ligada à UFOP), bem como a numerosos pesquisadores, em caráter pessoal.

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