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28 de agosto de 2014

Terminando sua tese de doutorado: dicas de gente experiente

Você está tentando concluir uma tese de doutorado em tempo para o prazo de poucos meses? Partilhamos alguns conselhos de quem superando esse obstáculo final.

1) Verifique se você atende aos requisitos de doutoramento de sua instituição

"Alunos de doutoramento e seus orientadores frequentemente presumem coisas
Muita gente já fez doutorado antes; siga as sugestões de que já passou por isso.
Aproveitar as experiências
dos outros é sempre útil.
sem verificar. Um orientador disse a seu aluno que a tese deve ter cerca de 300 páginas, no máximo, então ele escreveu 300 páginas. Infelizmente, o orientador tinha pensado em espaço duplo e o aluno tinha escrito em espaço simples. Livrar-se de 40.000 palavras extras com duas semanas não é recomendado." (Hannah Farrimond, professora de Sociologia Médica, Universidade de Exeter)

2) Mantenha a perspectiva

"Todos querem sua tese incrível, sua magnum opus. Mas seu trabalho mais importante virá mais tarde. Pense em seu doutorado como um aprendizado. Seus pares são improváveis leitores da tese e não vão julgar você nela. Eles são mais propensos a ler documentos (artigos, capítulos, livros) resultantes." (Dean D'Souza, PhD em neurociência cognitiva, Birkbeck, Universidade de Londres)

3) Escreva a introdução por último

"Escrever a introdução e a conclusão juntos ajudará a amarrar a tese, então guarde-se para o fim." (Ashish Jaiswal, PhD em Educação Empresarial, Universidade de Oxford)

4) Use apps

"Trello é uma ferramenta de gestão de projeto (disponível como um aplicativo de smartphone) que permite que você crie 'placas' de todas as suas tarefas pendentes, os prazos e ideias. Ele permite que você faça listas de verificação também, então você sabe que todas as suas coisas importantes estão listadas e à mão, ou seja, você pode se concentrar em uma coisa de cada vez. É gratificante mover as notas para a coluna 'feito'." (Lucy Irving, PhD em Psicologia, Universidade de Middlesex)

5) Aborde as questões sem resposta

"Sempre haverá perguntas sem resposta – não tente ignorar ou, pior ainda, escondê-los. Ao contrário, ativamente chamar a atenção para eles; identificá-los em sua conclusão como áreas para investigação futura. Seu doutorado vai mal se tentou ignorar ou contornar os problemas não resolvidos que sua tese inevitavelmente abriu." (Michael Perfect, PhD em Literatura Inglesa, Universidade de Cambridge)

6) Compre sua própria impressora laser

"Uma impressora a laser monocromática básica que pode imprimir dois lados pode ser comprada barato, com toners de substituição e tudo mais. Tem duas funções muito úteis. Em primeiro lugar, é preciso ler seu trabalho fora da tela e em papel, que é geralmente mais fácil. Em segundo lugar, dá-lhe uma desculpa legítima para ficar longe de sua mesa." (James Brown, PhD em Educação Arquitetônica, Universidade de Belfast da Rainha).

7) Checar tudo é importante

"Em dias em que seu cérebro está demasiado cansado para escrever, faça seleção de citações, bibliografia e essas checagens; então, você ainda está fazendo progresso." (Julia Wright, professora de inglês na Universidade de Dalhousie, Canadá)

8) Obtenha feedback sobre a tese inteira

"Nós, frequentemente, obtemos feedback sobre os capítulos mas a ideia é obter feedback de seu orientador como um todo para certificar-se de que tudo se encaixa muito bem." (Mel Rohse, PhD em Estudos de Paz, Universidade de Bradford)

9) Certifique-se que você sabe quando vai acabar

"Às vezes os orientadores usam palavras otimistas como 'Você está quase lá!' Peça-lhes para ser mais específico. É daqui a três meses, ou você tem meses seis de trabalho? Ou é só trabalho para um mês?" (Rifat Mahbub, PhD em Estudos de Mulheres, Universidade de York)

10) Prepare-se para a defesa

"Não se concentre apenas na tese – a defesa também é muito importante e as opiniões dos examinadores podem mudar após uma defesa bem sucedid. Lembre-se que você é o perito em seu campo específico, não os examinadores. Peça ao orientador para organizar um simulação da defesa se for possível." (Christine Jones, chefe de estudos Escola de Galês e Bilíngue, Universidade de Gales Trinity St David)

11) Desenvolva seu próprio estilo

"Leve em conta tudo o orientador disser, atenda às sugestões sobre revisões para seu trabalho, mas também seja fiel a seu próprio estilo de escrita. Pode parecer que seu estilo não tem nada a ver com o próprio campo de investigação, mas isto não importa." (Sarah Skyrme, doutorado em Sociologia da Universidade de Newcastle)

12) Lembre-se que mais não é sempre melhor

"Uma tese de doutorado não é uma corrida para a maior contagem de página. Não desperdice tempo." (Francis Woodhouse, PhD em Biologia Matemática, Universidade de Cambridge)

13) Tenha um amigo

"Encontre um colega, seu parceiro, um amigo disposto a te apoiar. Compartilhar com eles suas metas e objetivos e aceite ser responsável por eles. Isto não significa que eles vão te incomodar ou importunar, significa apenas que alguém sabe o que está fazendo e pode te ajudar a verificar se seu planejamento é realista e exequível." (Cassandra Steer, PhD em Criminologia, Universidade de Amesterdã)

14) Não seja perfeccionista

"Lembre-se que uma tese não tem de ser uma obra-prima. Nada mais auto-incapacitante que perfeccionismo." (Nathan Waddell, lente de Literatura Modernista, Universidade de Nottingham)

15) Cuide-se

"Saia. Trabalha fora se você puder. Sol, árvores e ar fresco fazem maravilhas para o que resta da sua sanidade." (Helen Coverdale, PhD em Direito, LSE)

Para escrever um texto melhor

O grande esforço de quem redige, principalmente no caso dos textos acadêmicos longos, teses, dissertações, artigos, é aperfeiçoar seu texto e aperfeiçoar sua escrita.

Escrever um texto é atividade que exige muito da pessoa, o que é normal, posto que seja uma atividade alicerçada em vários conhecimentos bem diferentes da fala e que se empregam menos que ela. Tal aspecto, por si, explica parcialmente porque aprender a língua escrita pode parecer com aprender a falar uma língua estrangeira!
Há detalhes na redação da tese e da dissertação que requerem o apoio do revisor de textos
Escrever textos longos requer atenção
e apoio de revisor competente.
Você deve estar consciente do fato que sempre sobram erros linguísticos em seu trabalho escrito – sejam poucos ou muitos! Hoje se sabe que é quase impossível escrever sem cometer desvios das normas ou lapsos, pela simples razão de que é impossível dividir a atenção entre o conteúdo (expressão e gestão das ideias) e a forma (transcrição gráfica apropriada). O domínio da língua escrita advém, em boa parte, mais da capacidade de reescrita: localizar seus erros e repará-los – que da capacidade para escrever tudo sem erro diretamente! Mas é também verdade que, à medida que o autor reescreve de forma eficaz e aperfeiçoa seu conhecimento linguístico, ele automatiza processos que se tornam aplicáveis em textos ulteriores.
Nesse processo de aperfeiçoamento do escrito e das escrituras, há ainda a interferência e a colaboração dos revisores profissionais de textos, que indicam aos autores problemas em seu texto e, mais que promover ajustes naquele produto, propiciam também aperfeiçoamentos na redação autoral que serão sucessivamente implementados nas produções seguintes. Nesse sentido, a atividade do revisor tem certa semelhança com o papel do professor de redação, mas em estágio mais elevado, pois trata-se de oferecer recursos e alternativas que ampliem o cabedal do autor, não de lecionar para ele.
Na universidade, quando o professor constata que seu trabalho contém erros de ortografia, sintaxe, léxico, a intervenção dele se limita, muitas vezes, a indicar pontos fracos, falhas superficiais recidivas. O que os revisores oferecem é uma abordagem linguística de revisão, intervenção e sugestões bem mais profundas, abordagem aplicável à reescrita e que acrescenta ao autor ou ao texto mais que a “correção” feita pelo professor ou orientador – inclusive pelo fato de o revisor ser profissional de língua, o que não acontece com a maioria dos orientadores, exceto quando a área de estudo é mesmo a da linguística aplicada. O revisor permitirá que o autor, ao reescrever operando com conceitos e regras da língua escrita, tome consciência fenômenos linguísticos alheios ao conhecimento de professores de outras áreas.
A seguir, apresentamos uma série de tópicos a serem considerados como balizas qualitativas de um texto, principalmente quando se trata do texto acadêmico longo, como a dissertação o a tese. São aspetos a serem considerados na hierarquia das construções textuais, desde a frase, o parágrafo, os tópicos e capítulos. São as partes e o todo, conjugados e harmônicos que constituem o texto longo, o que é bem mais complexo que a ideia pobre e usual de nossos dias de se juntarem alguns artigos dizendo que constituem uma tese – sendo que cada um deles pode até ser um texto, mas agregá-los não constituirá outro texto; por si, não necessariamente.

Ortografia no texto científico

O português, como grande número de línguas, tem escrita alfabética. Basicamente, as letras e símbolos que nós usamos para escrever representam sons (em outros sistemas, os signos representam ideias ou coisas, como no chinês). No entanto, esta característica de nossa língua (e do francês ou inglês, por exemplo), tem o defeito de que a relação entre os sons e os sinais que os representam não é perfeita. Na verdade, um mesmo grafema (este termo é mais preciso que letra ou símbolo) pode representar dois sons ou vários (por exemplo: o “x” representa vários sons: êxito, eixo, hexacampeão) enquanto um mesmo som (ou fonema) pode ser representado por grafemas diferentes (por exemplo: osso, poço). Há ainda grafemas que não representam sons (h) e as inúmeras exceções que tudo complicam.
Além das letras, nosso sistema escrever inclui acentos (agudo, circunflexo, grave) e sinais auxiliares como o trema, cedilha, hífen… Só de olhar o teclado do computador dá para ter ideia dos vários elementos que compõem nossa escrita.
Quanto mais complexo o texto, e o texto científico apresenta a complexidade de que está construindo um conhecimento, apresentando-o ou contestando alguma ideia, quanto mais complexo, maior o número de palavras nele que foge do uso do dia a dia, portanto, haverá palavras cujos sons não são familiares e cuja registro gráfico pode representar risco. Além disso, a própria complexidade representa desvio da atenção, retirando-a de elementos sintáticos e ortográficos.
O texto científico ainda lida com palavras importadas de outras línguas, muitas transliteradas (registradas em um sistema gráfico diferente do original, do hebraico para o latino, por exemplo), incorrendo em variações de critérios nas adaptações que não podem subsistir em benefício da uniformidade.

A ortografia e a gramática

O dicionário é especialmente útil para saber o sentido de palavras e a forma de as escrever, as gramáticas fornecem as normas de uso inferidas dos textos. Há gramáticas normativas, que prescrevem o uso consagrado, e gramáticas dos usos, que constatam os registros correntes. Cabe aos autores saber fazer uso dessas ferramentas, mas é do domínio do revisor de textos o conhecimento técnico que identifica questões sobre as quais o autor não estará alerta, apresentando os problemas e eventuais soluções ao autor.

Pontuação

Muitas vezes se diz que pontuação é para apresentar as pausas no texto, ou para direcionar a respiração durante a leitura. Pode até ser, em caso de texto literário, e só em parte, não se deve pensar assim em um texto atual – muito menos em um texto acadêmico. A pontuação é muito estreitamente relacionada à estrutura sintática. Se você for capaz de analisar razoavelmente as frases que escrever (analisar sintaticamente), correrá menos riscos de equívocos na pontuação. A pontuação contribui e deriva da estruturação de texto escritos.

A consistência textual

O que é um texto? Você, sem dúvida, concorda com o fato de que não basta alinhar algumas frases para ter um texto. Pode-se definir texto como um conjunto estruturado e consistente de frases transportando uma mensagem e realizando uma comunicação intencional.
O conceito de coerência textual refere-se a essa característica intrínseca ao texto: ele é um conjunto estruturado e coerente de frases escritas para, por exemplo, convencer um leitor dos benefícios da atividade física para a saúde. Mas é muito mais difícil de entender o que é um bom texto e um mal texto. Não obstante, há elementos que podem ser analisados isoladamente e constituem a consistência textual, raiz da própria qualidade que se busca: continuidade, progressão, coesão, coerência lógica, temporal, espacial. Cada aspecto desses pode ser compreendido intuitivamente, ou pode-se estender o quanto se desejar o estudo sobre qualquer um deles. Por enquanto, ficamos por aqui.