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22 de outubro de 2014

Linguística da revisão de textos

A terminologia, no sentido que mais interessa à revisão de textos, dedica-se ao conhecimento e análise dos vocabulários especializados das artes e ofícios, ao objeto ou campo de conhecimento do texto em foco.

Terminologia e revisão de textos

Em sentido amplo, refere-se ao uso e estudo de termos, especificando as palavras que são geralmente usadas em contextos específicos.
O revisor de textos tem que ser profissional com formação acadêmica sólida e atenção ao mundo.
O revisor de textos é o leitor
 cuja preocupação principal
 é o leitor seguinte.
Terminologia também se refere a uma disciplina mais formal, ligada à formação de corpus, dedicada ao estudo sistematizado, rotulação e designação de conceitos específicos a um ou vários assuntos ou campos de atividade humana, por meio de pesquisa e análise dos termos em contexto, com a finalidade de documentar e promover seu uso correto. Este estudo pode ser limitado a uma língua, ou a uma região geográfica, ou a um período ou autor; todos os cortes podem ser feitos, ou pode cobrir mais de uma língua ao mesmo tempo (terminologia multilíngue, bilíngue, trilíngue etc), havendo ainda a possibilidade de estudos de terminologia comparada, entre autores, regiões, épocas.
Na revisão, a gestão da terminologia é elemento central de boa legibilidade e uniformidade dos textos revisados. Os revisores profissionais podem administrar a terminologia na forma de glossários, usando ferramentas de controle de qualidade que fazem com que o mesmo termo técnico seja aplicado uniformemente em todo o texto. Também pode ser útil fazer a verificação longitudinal específica da aplicação de determinados termos, por meio de ferramentas de localização.

Estilística e revisão de textos

Há dois enfoques de estilística cujos cruzamentos interessam à revisão; o primeiro refere-se às variações linguísticas, diferentes registros, aplicações e contextos, incluindo a apreciação estética sobre o produto; o segundo, mais gramatical, considera o emprego tropos no texto, figuras de sintaxe, palavras ou pensamento.
Caberá ao revisor, dentre outros procedimentos, conhecer os tropos, identificá-los e julgar sua pertinência quanto ao tipo do texto em pauta; é comum aos autores desvios de recursos linguísticos cabíveis em um tipo de texto para outro em que eles se tornam completamente inadequados. A questão de não haver exatamente certos e errados se torna mais restrita, por algo pode não ser exatamente errado ali, mas ser completamente errado lá. Muitas vezes os autores não têm exatamente a noção dessa propriedade, outras vezes fazem uso consciente do abuso cometido – e isso também deve ser identificado e, nesse caso, respeitado, mantida a violação desejada pelo autor. Todas essas variações e combinações de elementos externos e internos do texto, seu objeto e sua finalidade, é o que chamamos contexto – uma palavra perigosa, pois bastante desgastada e algo esvaziada.
A determinação do registro, necessária à contextualização, parte da variedade (espécie da variação) linguística e alcança a situação do texto, sua finalidade ou seu público. Geralmente, o registro é facilmente reconhecível, mas cabe ao revisor ter ampla consciência dele e fazer dessa consciência parâmetro das interferências que serão feitas. Caberão as adequações de “campo”, “conteúdo” e “modo” correspondentes à estrutura semiótica do texto, preservadas as idiossincrasias autorais.
Cabe ainda apontar, como parte da estilística, o conhecimento dos vícios de linguagem, os bordões e os modismos. Os gramáticos abordam invariavelmente essas questões, uns com maior rigor, outros mais permissivos; também os manuais de redação, tanto os jornalísticos quanto os governamentais e acadêmicos, trazem amplas lista de expressões a serem evitadas, nos respectivos contextos, mas observem que cada manual daqueles é específico àquele tipo de texto, caberá sempre um juízo subjetivo, principalmente quando se tratar de texto criativo ou de manifestação opinativa.
Sugiro a quem nunca contratou
um revisor de textos que
leia algumas postagens por aqui
para entender a complexidade
do processo.

Pragmática e revisão de textos

A pragmática é a parte prática da linguística, dizendo de uma forma simplificada, pois ela se remete aos aspectos comunicacionais do texto. Como o texto é produzido para ser veículo de informações, dados, reflexões ou entretenimento, a pragmática considera a qualidade com que o texto está se prestando a seu fim. Revisão de texto também tem tudo a ver com comunicação.
A pragmática está, portanto, ligada a atividade fim do texto. A revisão, sob esse ponto de vista, é um processo meio para se alcançar tal fim. A pragmática inclui o conhecimento da dimensão comunicacional mais filosófica, como prática social concreta, ela analisa a significação linguística de acordo com a interação existente entre autor e leitor, no contexto do texto, considerando os elementos socioculturais em questão e os objetivos, efeitos e consequências desse processo comunicacional.
Cabe ao revisor zelar, inclusive pela coerência pragmática, por exemplo, um personagem não pode ordenar e pedir, simultaneamente, em um romance, ou duas hipóteses não podem ser paradoxais em uma tese.

 Filologia e revisão de textos

A filologia é atualmente mais referida como linguística histórica; a rigor, há alguma distinção entre as duas coisas, mas não precisamos aqui estabelecer essa diferença, consideremos que ela é o estudo das linguagens na história e suas transformações. Também a filologia talvez seja a parte da linguística que menos afeta a revisão de textos, em sentido pontual, e a que mais afeta globalmente, pois quase todas as questões linguísticas têm raízes históricas são importantes para seu deslinde. Afinal, a filologia descreve o estudo de uma língua com a sua literatura e os contextos históricos e culturais que são indispensáveis para uma compreensão das obras literárias e de outros textos culturalmente significativos. Naturalmente, isso afeta o conhecimento linguístico que antecede a revisão e constitui o arcabouço, a bagagem de erudição imprescindível ao processo de revisão, mas não fornece diretamente instrumentos operacionais.
Revisar dissertação e tese não é para amadores.
Leira também:
Morfologia, sintaxe,
fonética, fonologia,
semântica, lexicologia.
A filologia trabalha com várias abordagens, a retórica, a poética, a gramática, a linguística em cada uma de suas vertentes, ainda a prosódia, a métrica, e mesmo a teoria e história e da literatura. A filologia continua sendo área do conhecimento fundamental para aquele que trabalha com a revisão: ela é sinônimo de rigor no trato com os textos e de pensamento pautado pela questão histórica.
De certo modo, após um longo domínio de abordagens sociolinguísticas e históricas nos estudos literários, a análise interpretativa fica agora mais a cargo das abordagens críticas da teoria literária. Hoje o filólogo é o responsável pela preparação de edições críticas de autores clássicos (antigos e modernos): um trabalho árduo e essencial para todas as ciências humanas, e que carece de importante contribuição de revisores altamente especializados.

Tecer e revisar o texto

Existe uma razão etimológica para não esquecermos que produzir um texto é o mesmo que tecer, entrelaçar unidades e partes com a finalidade de formar um todo. Revisar o texto é verificar a trama, a tessitura e cada ponto do texto, não deixar ponto sem nó, nem malha solta.

Revisão de textos sempre é um processo atento a uma infinidade de detalhes.
O texto tem que ser uma malha
 perfeita para que não se percam
as informações.
Texto é palavra originada do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.
Por isso, falamos em textura e tessitura de um texto: a rede de relações que garantem sua coesão. Quando vamos revisar um texto, observamos quatro elementos centrais: a repetição, a progressão, a coerência e a relação. Todas essas partes compõem o texto, elas surgem uma após a outra, relacionando-se com o que já foi dito ou com o que se vai dizer.
  1. Repetição: ao longo do texto ocorrem repetições, retomadas de elementos. Essa retomada é normalmente feita por pronomes ou por palavras e expressões equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com cuidado, a fim de que o texto não seja prejudicado. As repetições viciosas devem ser cuidadosamente eliminadas. 
  2. Progressão: devemos sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito no texto. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o que já foi colocado. 
  3. Coerência: não podem surgir elementos que contradigam aquilo que já foi considerado falso, ou vice-versa. Esse tipo de contradição só é tolerado se for intencional. Todavia a aproximação de ideias e fatos contrastantes é um recurso muito frequente na argumentação.
  4. Relação:  os fatos e conceitos devem estar relacionado entre si para justificar sua inclusão no texto. É importante organizar esquematicamente o texto antes de escrever, depois observar se a aproximação das ideias que serão transmitidas é realmente eficaz.
A consideração desses quatro itens (repetição, progressão, coerência e relação) ajuda o revisor a aperfeiçoar o grau de coesão dos textos. A configuração final do texto depende ainda de outros fatores, como do canal de comunicação, do perfil do receptor e das finalidades pretendidas pelo emissor. Todos esses fatores afetam diretamente a comunicabilidade do texto e são objetos da atenção do revisor.
Adaptado de Cabral, M.
O revisor é tão especialista no texto quanto o autor de uma tese no conteúdo sobre o qual ele escreve.
O texto é uma trama, cabe ao revisor
identificar e prender as malhas soltas.
Como revisores de textos, incessantemente estamos pesquisando e aprendendo. Deparamo-nos como excelente material na internet o tempo todo. Algum material que encontramos vem para cá, com a devida permissão do autor, e a outros bons textos apenas nos referimos, sem que isso constitua critério de qualidade, mas somente de pertinência com o tema central deste blog. Leia o texto que se segue e, caso haja interesse em prosseguir, recomendamos ir à fonte!
O texto é uma atividade consciente e organizada a qual implica a escolha/seleção de elementos linguísticos, a partir de um contexto sócio-interacional, cuja ordenação e combinação se dá de acordo com o “projeto de dizer” do produtor. Assim, a atividade de produção textual de sentidos compreende o trabalho de um produtor e, também, de um interpretador que são “estrategistas”, pois no “jogo da linguagem”, mobilizam uma série de estratégias objetivando a produção de sentido(s). Por esta razão, o texto é um processo em constante construção. As peças do jogo da linguagem são:
  1. Produtor/planejador, que procura viabilizar o seu “projeto de dizer”, recorrendo a uma série de estratégias de organização textual e orientando o interlocutor, por meio de sinalizações textuais (indícios, marcas, pistas), para a construção dos (possíveis) sentidos;
  2. Texto, organizado estrategicamente de dada forma, em decorrência das escolhas feitas pelo produtor entre as diversas possibilidades de formulação que a língua lhe oferece, de tal sorte que ele estabelece limites quanto às leituras possíveis;
  3. Leitor/ouvinte, que, a partir do modo como o texto se encontra linguisticamente construído, das sinalizações que lhe oferece, bem como pela mobilização do contexto relevante à interpretação, vai proceder à construção dos sentidos.

Leia na íntegra: Linha Mestra.