23 de agosto de 2016

Três questões linguísticas bem distintas

As inquietações dos linguistas são bem variadas, passam pelo emprego das locuções, pela concordância na voz passiva e pelos valores culturais da língua!

Aqui estão três pequenos textos de Ricardo Alves, nosso colaborador, quando ainda era estagiário conosco. Excelentes contribuições que voltamos a publicar, agora em conjunto. São três motes sempre presentes na atividade de revisão de textos.

O uso problemático de “na medida em que”

Nas revisões de textos, principalmente de teses e de dissertações, notamos com frequência o uso de “na medida em que” como locução conjuntiva, seja no sentido proporcional, no causal ou no condicional. A partir do uso dessa expressão, encontramos dois equívocos que são condenados pela norma culta, a de maior prestígio social: o primeiro diz respeito à forma dessa expressão e o segundo a seu uso com valor causal ou condicional.
O texto tem que permitir a comunicação sem ruídos.
A revisão de textos se ocupa
de aperfeiçoar a comunicação.
Ao pesquisarmos algumas gramáticas, tanto tradicionais, como Cunha (1983), e descritivas, como Bechara (2009), na verdade, encontramos a expressão “à medida que”. Acreditamos que o uso de “na medida em que” decorre de o falante de língua portuguesa reconhecer intuitivamente o “que” como pronome relativo, acrescentando, portanto, a preposição “em”. A esse fenômeno linguístico damos o nome de hipercorreção, uma correção que vai além do que realmente deve ser corrigido no texto. A palavra “que” em “à medida que” é vazia de sentido, não possuindo nenhum valor sintático – ela apenas faz parte de uma expressão já cristalizada.
O outro equívoco cometido por autores em seus textos é o de usar essa expressão com o sentido de causa ou de condição. “À medida que” é uma expressão que possui apenas o valor proporcional, os outros valores a ela atribuídos são condenados pelas gramáticas.

18 de agosto de 2016

Texto como construção complexa

Quanto mais longo o texto, mais complexo ele é; por isso, as teses e dissertações requerem a contribuição do revisor de textos no aperfeiçoamento de sua forma e legibilidade.

Do ponto de vista cognitivo, escrever é atividade humana de grande complexidade, mais que jogar xadrez. Revisar o texto também é atividade composta por uma série de procedimentos terrivelmente complexos, bem mais que dar palpite na partida de xadrez dos outros! Pesquisadores de diferentes áreas – principalmente psicolinguística – estão interessados nos subprocessos da textualização (produção escrita com textualidade). Antes de mostrar o que propicia a textualização e a possibilidade de contribuição do revisor na construção de textos longos (as teses e dissertações estão dentre os textos mais complexos), vamos apresentar os níveis de organização do texto, depois expor a teoria de recursos, teoria para entender certas dificuldades com a escrita, inclusive as presentes em estudantes de pós-graduação.
Autor e revisor de textos são parceiros cognitivos da redação.
O papel do revisor de textos também
passa por aliviar o coeficiente de
cognição linguística para o autor.

Textualizar é gerenciar simultaneamente um número incrível de dados

A maioria dos autores considera que a escrita é para colocar no papel (ou na tela) ideias existentes – assim, de modo mesmo bem simples. A maioria dos autores, em todo caso, não considera nada sobre a escrita: têm-na como um processo mecânico mais ou menos bem aprendido. Cumpre aos autores, segundo muitos deles próprios, escrever – bem ou mal – o que devem e, ex post facto, cumprirá ao revisor as emendas de praxe. Na verdade, não é bem assim, o processo da escrita é complexo e demanda elementos de cognição e memória que se refletem sobre as mais diversas características do texto. O estudo dos esboços dos autores nos mostra que o texto é uma construção, cada rascunho é um construendo, a “versão final” é a parte sobrenadante que cobre as versões anteriores.

14 de agosto de 2016

O acompanhamento da revisão pelo autor

O revisor vai interferir em meu texto e eu não vou acompanhar? Minha tese tem discussões e termos complexos, e se o revisor se enganar na interpretação? Eu saberei o que o revisor alterou?

Antigamente, era sempre assim: o autor terminava de escrever e enviava o texto para a impressão, depois o texto impresso era encaminhado ao revisor que fazia nele um monte de rabiscos e devolvia ao autor ou encaminhava direto para o editor, dependendo da situação. Quando se tratava de uma tese, o autor recebia o texto do revisor e providenciava todas as emendas sugeridas, muitas vezes contando com os serviços de datilografia de alguém que interpretaria todas as anotações do revisor.
O revisor deve possibilitar ao autor acompanhar a revisão; o autor deve discutir as questões levantadas pelo revisor.
A revisão interativa soma esforços
para aperfeiçoamento do texto com
economia de tempo e otimização do
trabalho para alcançar a excelência
no produto final.
Nada mais é assim, hoje qualquer revisor que se preze trabalha diretamente no texto, sugerindo as modificações, com controle das alterações feitas, e o texto pode voltar diretamente a seu autor para discussão das alterações sugeridas e para decisão final sobre as propostas do revisor. Sim, propostas, pois o dono do texto é que vai decidir sobre o que cabe ser aceito ou recusado daquilo que o revisor sugere. Só que, para isso, é preciso que haja tempo para o revisor trabalhar, tempo e disposição da parte do autor para acompanhar e discutir o trabalho de revisão que está em curso.
Em nossa ;metodologia de trabalho, enviamos diariamente ao autor um "estado da arte" - o estágio do trabalho ao fim daquela jornada. A maior parte dos revisores prefere revisar todo o trabalho e, depois de tudo visto e revisto, lido e relido, encaminhar o serviço "pronto" ao autor. Imagine-se quem tem uma tese de 400 páginas, esperar pela revisão dela por dez dias e, então, receber tudo aquilo anotado, com as marcas da revisão, para ter que considerar todas elas e discutir as pendências com o revisor. É quase inviável, pelo tempo e pela sobrecarga imposta ao autor. Com nosso sistema, o autor acompanha, dia a dia a evolução da revisão. Ele pode aferir os critérios dos revisores à medida que a revisão se processa; o autor pode direcionar os critérios de homogenização, de ordenação, de programação visual, da formatação, a cada dia, em curto espaço de tempo, determinando como deverão ficar os aspectos formais segundo seu agrado. Isso economiza tempo do autor e evita retrabalho por parte do revisor.

Reescrever o rascunho da dissertação de mestrado

Autores e orientadores constroem e reconstroem sentidos a partir de diferentes exercícios de escrita que se realizam em gêneros específicos do domínio discursivo compreendido por monografias, dissertações, teses, artigos, resenhas, resumos.

A cada fase da evolução do texto da dissertação o autor o submete ao orientador, a algum colega ou leitor crítico, ou o próprio autor relê sua produção e se estabelecem os objetivos, critérios e restrições para a tarefa de reescrita; o autor passa à avaliação de seu texto-rascunho. Revisão é procedimento posterior e envolve outro interventor no processo de produção do texto.
O autor da tese faz sempre o melhor possível. O revisor tenta melhorar.
Revisar o texto é limpar
muito o que foi escrito.
O subprocesso de avaliação da produção é o momento da reescrita em que o autor ou seu orientador lê seu texto com três objetivos: compreender, avaliar e definir problemas. Essa leitura é atenta, crítica e avaliativa. A leitura para reescrever deve ser processada como avaliação, para fins de julgamento do texto-rascunho. No decorrer dessa leitura, o autor precisa construir também “uma representação da resposta do leitor” ao que foi escrito em seu texto-rascunho.
A leitura avaliativa é enfatizada, pois permite ao autor, na reescrita, de acordo com o problema representado no rascunho, determinar o procedimento na tarefa de reescrever. São cinco as estratégias utilizadas referentes às ações da reescrita (ignorar, adiar, pesquisar, reescrever e corrigir), cada uma delas cabe em situações específicas que apresentamos a seguir.
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