25 de outubro de 2014

Revisão de textos: conceitos e perspectivas

A revisão de texto pode ser interferir o documento original até onde? Até que ponto o revisor deve manter a construção autoral na tese, por exemplo?

Chamaremos  revisão de textos toda reconsideração de um primeiro texto, incluindo tanto os comentários, opiniões e  críticas de autores e leitores como as alterações efetivas realizadas no escrito. Denominaremos reescritas a estas alterações efetivas.
Para praticar revisão, principalmente de termos acadêmicos, formais e registrados na língua culta, é fundamental o domínio normas oficiais, da ABNT à NGB, em grande parte porque os textos, no dia a dia, nos reservam notáveis surpresas: na maior parte das vezes as normas são desprezadas, com frequência porque não são nem mesmo conhecidas pelos responsáveis pela redação ou orientação dos trabalhos.
O revisor de uma tese considera a língua e o contexto. Nada pode escapar à revisão.
Revisão de textos exige
domínio de amplo
vocabulário.
Na perspectiva histórica, o papel do revisor pode ser definido de diversas maneiras. Não temos dados sobre como os copistas corrigiam seus próprios escritos, temos apenas as marcas de correções que eles deixaram em seus manuscritos. Por outro lado, sabemos como corrigem os profissionais da revisão contemporâneos (os revisores).
Também se entende a revisão como uma releitura ou leitura do escrito, não necessariamente uma emenda, mas uma tarefa de interpretação; tarefa essencialmente ativa encarada pelo profissional de revisão a partir de um campo de saber previamente constituído não somente por normas e leis, mas por uma concepção mais ampla e pelo que denomina um “certo recinto semiótico” composto por diversas direções.
É esta a ideia de revisor que vamos trabalhar: a do profissional que se melhora o trabalho de terceiros. Alguém que faz muitas vezes leitura e releitura “com a mente e com os olhos”, prestando atenção tanto naquilo que está carregado de sentido como o que não está e, ao mesmo tempo, esforçando-se por tomar distância do sentido que teve intenção de gerar para olhá-lo com olhos de outros.
A crítica textual defende que, na elaboração de um discurso (ainda no caso de reconhecidos e universais escritores de literatura), é fundamental a função ativa do produtor. Tanto um texto jurídico como um texto publicitário exigem semanas de trabalho, retiradas, adições, reestruturações, reescritas. Este processo que, a partir da perspectiva do autor pretende ser qualitativo, pode, não obstante, produzir versões de qualidade decrescente, mas os rastros que vão sendo deixados dão conta da progressão de um “discurso comum” até “um discurso ótimo”, a partir da perspectiva do autor. É esta perspectiva do revisor sobre “o que é melhor” a que se tenta desvelar, sem emitir juízo prévio sobre uma qualidade “ideal”.
Sozinho ou interagindo com os outros, o revisor do manuscrito se vê diante de uma avaliação do texto, e deve tomar decisões sobre afirmar, explicar, demonstrar, declarar. E sobre os estados mentais que supõe comunicar, tais como crenças, deduções, conjecturas, suposições e conclusões. Ao escrever ou revisar, é inevitável tomar decisões sobre a estrutura linguística – com conhecimento ou não da metalinguagem oral, por exemplo, ao marcar parágrafos ou orações, ao narrar, enumerar ou descrever. Mas, além do ato em si mesmo, existe uma metalinguagem oral para referir-se ao conteúdo do texto. Por exemplo, se é verídico, se é lógico, se é conveniente. Estas considerações são pertinentes na formação de determinados tipos de textos e são fundamentais para que se considere o conhecimento culto ou educado. Daí o interesse na revisão, já que não somente constitui uma prática, mas também um meio de pensar a linguagem.
Ao se revisar um texto, devem ser respeitados os parágrafos e tópicos, sua eventual numeração (nesta questão a norma se refere obviamente a textos técnicos, contratos, etc.) e as subdivisões do texto em frases.
É necessário mencionar qualquer diferença de conteúdo entre o documento original e a revisão, indicando as interferências, correções, reduções ou adições realizadas no texto, no índice ou na bibliografia: tudo sempre feito com controle eletrônico de alterações.
Em textos a serem revisados, são empregadas terminologias pertencentes a diversos campos do conhecimento. Nesses casos, é necessário que o revisor aprenda os conceitos básicos implicados, para não fazer substituições equivocadas. Entretanto, sendo um neologismo referente a novo conceito, é recomendável que, após a revisão, se defina o termo em rodapé.
As editoras e demais empresas que contratam revisores exigem, para a admissão, que o aspirante apresente título de bacharel ou diploma universitário. Em qualquer dos casos, quem se inicia na revisão geralmente estudou Letras, mas não tal exigência legal, nem é raro que seja outra a formação. Mas é necessário que o aspirante a revisor conheça claramente as diferenças existentes entre o aprendizado de uma língua para o ensino e para a revisão.
O currículo de muito curso de Letras moderno tem a revisão como uma disciplina, assim como as literaturas e as linguísticas - mas raramente complementa com teoria sólida de revisão e com prática. Não é nossa intenção julgar o ensino de revisão. O que desejamos é deixar claro que o estudo de um idioma materno para o magistério está muito distante de ensinar revisão. Não se se haveria possibilidade ou necessidade de se criarem cursos de graduação ou aumentar as pós de revisão existentes.
Na verdade, acho mesmo é que revisão de textos continuará a ser um ofício a ser aprendido principalmente na prática, por pessoas que amem as letras e tenham construído erudição por gosto, mas subsidiadas por todo aparato humanístico da academia.

23 de outubro de 2014

Revisão de texto: percepção, leitura, análise, interpretação

Quando revisamos um texto, no princípio do exercício do ofício, não achamos que a atividade seja dividida em fases.

Após as primeiras revisões, vários mecanismos mentais implicados na revisão fazem a atividades torna-se mais rápida, em alguns aspectos e, ao mesmo tempo, as etapas e os processos inerentes se tornam subconscientes, automatizadas.
Para refletir sobre a revisão de textos, muitas vezes escapa à consciência do revisor que tentar descrever o processo, que a tarefa essencial é analisar as fases, estando cientes de que nem sempre são momentos perceptualmente diferentes ou distinguíveis uns dos outros, que as fases, na prática da atividade de revisão de texto diariamente, podem ser conjugadas e entrelaçadas.
Somos revisores acadêmicos desde o século passado.
A revisão é um processo de camadas
concêntricas em busca da
comunicabilidade. 
A primeira fase do processo de revisão de texto consiste na leitura. O ato da leitura é atributo principalmente de uma capacidade psicológica (cognitiva), que depende nosso aparelho sensório. Leitura mesmo, como a revisão de texto requer, é um processo principalmente inconsciente. Se não, haveria um trabalho demorado e cansativo. Grande parte das operações mentais envolvidas no ato de leitura são automáticas e inconscientes. Desta natureza, ao mesmo tempo comum e misteriosa, é importante segmentar a leitura em todas as suas fases. Os escritos de alguns psicólogos da percepção vão ajudar a tentar expandir o conhecimento desta fase inicial da revisão de texto.
A simples leitura é um ato de interpretação de texto. Quando lemos, em nossa mente, não se estabelecem as palavras que lemos como entrada em um computador pelo teclado ou scanner. Em nossas mentes, depois de ler, não temos a reprodução fotográfica ou gravação do texto lido. Em nossas mentes, nós temos uma série de impressões. Pouco provável lembrar mais que certas palavras ou frases, enquanto o resto do texto foi traduzido da linguagem verbal a um idioma que pertence a outro sistema de sinais, na maior parte desconhecidos: a linguagem mental.
A primeira operação de revisão de texto que cumpre ao revisor é não linguística, mas interlinguística e intersemiótica. As palavras são transformadas em material mental. É um processo inverso ao da narração de um sonho por quem o sonhou. Um sonho é composto de imagens, sentimentos, cheiros, gostos, raramente palavras ou números – lembre-se da ideia de que ninguém lê um texto em sonhos: a leitura verbal não vai ao subconsciente. O que está na moda hoje, o texto multimídia, é muito mais significativo, profundo, inerente aos processos mentais subconscientes. A disciplina que lida com mais este tipo de revisão de texto a partir do código mental ao verbal conhecendo o déficit entre os dois tipos relacionado à perda translacional é a psicanálise. Isto disciplinará o trâmite das ideias relevantes para tentar entender melhor o que acontece na primeira fase da revisão de texto: a leitura. Esse aspecto da revisão de texto diz respeito a todos os leitores, não apenas aos revisores.
A primeira leitura de um texto ou leitura por uma pessoa carente de ferramentas críticas, que às vezes é chamada de “ingênua”, não se revela um ato crítico. A leitura, quando a tarefa perceptual se caracteriza pela tentativa imediata e inconsciente de adivinhar ou intuir o argumento subsequente, antes de o conhecer, baseada no que se leu acima, pressupõe o desenvolvimento de texto como pré-cognição. É a tentativa de colocar esse texto em ambiente cultural, um contexto. É o fenômeno da abdução: o leitor e o revisor produzem constantes inferências sobre o que vai ser lido e, continuamente, têm confirmação, negação ou não confirmação de inferências feitas, o que lhe permite tornar-se outro, diferente, ajustando o tiro ao alvo segundo os erros antecedente e segundo vai se aproximando da meta.
A leitura já subsume a primeira interpretação involuntária, desde que o que está sendo lido não se enquadra em uma folha em branco, mas em uma base convulsa, rica em experiência, ideias e tentativas preliminares de entender. Um terreno muito individual, que dá origem a interpretações subjetivas e apenas parcialmente compartilhadas.
Isso causa alguns problemas para o leitor e, antes dele, para o revisor. Como um revisor pode tentar ler um texto com o desejo de encarnar o mais aberto espírito possível de leitor, sendo um ser humano, tem limitações enormes e permanece, no entanto, um indivíduo com gostos, preferências, antipatias, idiossincrasias. O revisor não pode pretender negar sua própria personalidade, só porque sua atividade é realizada individualmente, mas a revisão é o prelúdio para a fruição do texto por grande grupo de leitores. A negação é um mecanismo de defesa, tanto inútil quanto elementar e, em alguns casos, perigosa. É muito mais sensato tomar nota da subjetividade dos atos de leitura, incluindo aqueles de revisores. A leitura é o primeiro de uma série de processos que fazem uma interpretação subjetiva do metatexto e falível do prototexto. Semiótica e filosofia da linguagem, muitas vezes, nos ajudam a compreender a complexidade da leitura e suas vertentes interpretativas.
O crítico é um leitor particularmente atento que possui aparatos teóricos e instrumentais e é capaz de usá-los. O revisor é – ou deveria ser – dotado de ferramentas críticas particularmente qualificadas. Linguística, teoria literária, humanidades, informática, estão entre as disciplinas que nos ajudam a entender como se pode analisar criticamente um texto a ser revisado para ir além da leitura ingênua, rasa. A interpretação é um sistema circular, e a posição de responsabilidade recai no revisor quando a hermenêutica é aplicada a um texto revisado por ele. A primeira etapa em que o revisor é solicitado é a leitura textual do prototexto.
O revisor é um intérprete, uma vez que não é capaz de ler um prototexto sem pensar, mais ou menos involuntariamente, como o texto será lido e interpretado pelo destinatário final, sem pensar sobre os metatextos possíveis. Este modo de leitura deforma a interpretação, o ato de leitura, porque, além de não ser uma leitura ingênuo como definimos anteriormente, não é mesmo uma leitura crítica “normal” – revisores não fazem leituras normais. É uma leitura com muita atenção para o dominante do prototexto e a pergunta é se ele pode coincidir com o dominante do metatexto, considerando sobre o potencial impacto do texto na leitura do receptor, fazendo a análise orientada à revisão de texto, uma análise crítica muito particular. Nesta fase, o revisor conta com os subsídios da semiótica na revisão de texto.
Revisão de texto tem que ser Keimelion

Revisão e formatação de teses e dissertações há mais de dez anos.

Informações de preços, serviços e condições, clicar aqui.
São Paulo: +55 (11) 3042-2403 Rio de Janeiro: +55 (21) 3942-2403 Belo Horizonte: +55 (31) 3889-2425 Skype: keimelion
Solicite orçamento sem compromisso, enviando o texto para nós, clique aqui.
Não elaboramos trabalhos de graduação ou pós. Não insista.

Postagens do blog